segunda-feira, 18 de novembro de 2013

AS FOLHAS QUE ME ATRAVESSAM


É no momento mais triste que lhe vejo
Lhe pego, derramo gotas em ti para buscar conforto
Você ouve tudo calada, por isso cada vez mais te almejo
Calada entre aspas, pois grita em silêncio comigo quando estou quase morto

Tua textura me chama, manda-me expressar
Expressar, expressar, para que seja ex-pressão
Pede-me, implora-me para que eu vá devagar
Eu obedeço e vou de encontro correndo e você nunca me deixa na mão

Já pintei teu corpo e me senti artista
Fitei sua face de ponta-a-ponta e sei que não fui o primeiro
Agarrei-te com força, fui rude e por um tempo te perdi de vista
O artista se foi e o que sobrou foram resquícios de arteiro

Nas tuas linhas me perco mesmo quando as mesmas não existem
O cuidado que tenho para não borrar seu rosto é imenso
Como não sou tão zeloso as manchas persistem
E a cada toque em você o clima fica mais tenso

Quando lhe observo voar, imagino um pássaro perfeito
Admirando sua leveza chego a ficar hipnotizado
Seu limite para mim me faz a tratar com respeito
Teu corpo no meu corpo uma hora se vai, mas em ti tudo será eternizado 

Já me debrucei em brancas, negras e coloridas
A calma que se foi agora virou palavra certeira
Entre rosas, espinhos, adubos e margaridas, não se fecham feridas
Folha, eu posso lhe garantir que você é minha paixão verdadeira.

Chellmí - Jovem Escritor Paulista - 17.11.2013

terça-feira, 12 de novembro de 2013

OFICINA - NAS IMAGENS DO MUNDO REESCREVO MINHA HISTÓRIA Com Chellmí - 19 e 21/11/2013 - 14h. as 18h.

Local - Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso - Av. Deputado Emílio Carlos, 3641 - Vila Nova Cachoeirinha.
Datas - 19 e 21 de Novembro de 2013 - Horário: 14h as 18h. 
Estão tod@s convidad@s.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

VENTANIA


Ei você, sim, você mesmo.
Escute, se for água, óbvio.
Hoje eu conversei com o barro, discuti com a pedra, ganhei carinhos da areia e me deitei no ar.
Espero que a natureza da minha multipolaridade continue me dando a chance de pairar entre os odores das flores e os perfumes dos lixos, e assim continuar sendo um ser de vento.
Agora com licença, pois preciso esticar meus ventos sobre uma rede de galhos. 

Chellmí - Jovem Escritor Paulista : 29/10/2013

terça-feira, 29 de outubro de 2013

INCENTIVO AS LEITURAS: AS AÇÕES CULTURAIS NAS PERIFERIAS GRITAM, E QUEM AS ESCUTA ?

Ocorreu um pequeno erro na divulgação, sem problema. O título do meu colóquio será:
 INCENTIVO AS LEITURAS: AS AÇÕES CULTURAIS NAS PERIFERIAS GRITAM, E QUEM AS ESCUTA ?

sábado, 12 de outubro de 2013

BRINCANDO



Tem pião, bolinha de gude e futebol com bola de durex
No jogo de damas há espaço para cavalheiros e as ideias chegam sem sedex
Entregue as cartas, a leitura fica por conta do olhar
No pega-pega do lápis não se esconde-esconde o coração e seu palpitar
Corre pra lá, corre pra cá, aprende com a fúria ao lado
O brincar depende do outro para que seu universo não seja engessado
Seja na grama ou no concreto, na terra ou na areia
A descoberta do mundo tem que pulsar na alma e na veia
O encontro que proporciona o desencontro consigo
A disputa em que o celular chama mais atenção que um amigo
Sorrisos, insultos e devaneios que quebram a lógica do que está posto
A poesia que na Arte do encontro é o que dá gosto
Saborear cada momento como se fosse o mais doce da vida
Para se encontrar mesmo não tendo saída na história que parecia perdida
Que minhas palavras atravessem tempos e fiquem na lembrança
Pois na minha vida sempre existirá um adulto-criança.

CHELLMÍ - 11.10.2013. 
OBRIGADO POR EXISTIREM NA MINHA VIDA MOLECADA, SE NÃO FOSSEM VOCÊS EU JÁ TERIA PARTIDO.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

LEPTOSPIROSE: OS RATOS QUE SONHAM EM SER ASTROS


Naquelas bordas tidas como grande lixão habitavam muitos ratos, principalmente os cinzas. A população se dividia em relação aos ratos, parte considerava primordial a presença deles, diziam que sem eles o dito lixão não teria jeito nunca, a outra parte não suportava vê-los nem de longe e quando se aproximavam causavam muito medo e aguçavam um sentimento de ódio.
Os ratos eram ligeiros, andavam sempre em bando, nunca estavam sozinhos, como eram tão gordos, gorduras estas que faziam questão de manter, beliscando diariamente coxinhas nos bares e padarias da região, ops, do lixão, começaram a se locomover com suas ratoturas. Elas eram até certo ponto engraçadas, pois tinham umas luzes vermelhas que ficavam girando, porém era um terror para aqueles que tinham pavor daqueles ratos.
Havia ratos que se entocavam de dia e ratos que se entocavam de noite, mas o que existia em comum em todos eles, era a vontade de sair da toca para tentar fazer a limpeza no dito lixão, saíam enfurecidos, seus olhos ficavam da cor das luzes que giravam nas ratoturas e disparavam rapidamente para começarem a ratortura.
A população se assustava quando os ratos se espalhavam pelas ruas, becos e vielas da região, principalmente quando pediam ajuda do ratocoptero, uma espécie de ratazana enorme que podia voar lá de cima a ratazana mirava o território com seu olhar, olhar este que atingia aquela geografia com grandes focos de luz, enquanto o barulho das asas do ratocoptero deixava parte dos moradores perplexos e angustiados.
Os ratos sabiam jogar, eram estrategistas, eram programados, pareciam robôs que cumpriam ordens do rato mais sujo e perverso de todos, ele era conhecido como Estadozana, muito temido pelos que iam contra suas imposições. Estadozana queria colocar a população do dito lixão na chapa, assim como fazia com a corporação queijo quente, queria derrete-los para ficarem molinhos e moldá-los, para depois engoli-los sem mastigar, uma prática intencional do Estadozana desde que se conhece por monstro.
Tem rato que não se contenta em ser rato, alguns querem se tornar caveiras, os gordos até pararam de frequentar padarias e de beliscarem coxinhas para ficarem sequinhos igual caveiras, a caveira tem faca e tudo, os pêlos das caveiras não são mais cinzas, são pretos, vejam que evolução da espécie, agora eles conseguem se camuflar na escuridão. Outro nível hein!
Aos finais de semana os ratos se disfarçam, uns viram passarinhos, outros sapos, alguns conseguem virar cobras, e o veneno se espalha para fora do lixão. Chega a ser patético pensar que enquanto o Estadozana reside num palácio que dizem ser bem distante do lixão, os ratinhos moram no lixão e têm que se disfarçarem de Bem-te-vi para sair na rua, os ratinhos pensam que um dia poderão ser astros, se encherem de condecorações e habitavam uma toca melhor. É triste saber que menos de 1% percebe isto e se torna leão na selva de pedras.
Tanto os ratinhos como o Estadozana têm um habito que é compartilhado sem reclamações entre eles, sabem qual? O de derramar sangue adoram jorrar sangue inocente de leões negros e pobres, se for presa jovem nos ditos lixões, aí eles comemoram, disparam para o alto, para baixo, com suas ratalhadoras, para onde o focinho mirar tá valendo, o que manda é brindar com sangue alheio.
Às vezes eles rondam as escolas das bordas para se sentirem astros, para se camuflarem em curiós que cantam bonito, você deve estar se perguntando, são ratos ou camaleões? Em princípio ratos que pensam terem poderes que os transformem em camaleões, ou seja, querem dar nó em pingo d’água.
A natureza é selvagem e dá o troco, aos poucos, leões, tigres, elefantes, garças, cavalos vão mostrando que vai dar zebra. O Estadozana gosta tanto de sangue, ele terá, alguns leões já estão preparando seus corações e suas mentes para o mar de sangue, a luta será armada e os ratocopteros, as ratoturas, assim como qualquer espécie desses tipos de ratos vão ficar imersos nas ondas vermelhas.

Enquanto isso não acontece, resta à fauna se unir para que os ratos não se proliferem sonhando em serem astros. 

Chellmí - Jovem Escritor Paulista - 01.10.2013
 (21 anos depois da matança no Carandiru)

terça-feira, 8 de outubro de 2013

SOLIDÃO OU SOLIDEZ ?


Hoje me deu vontade de chorar, aí eu chorei.
Saí pra rua, estava chovendo. Pensei.
Vou misturar minhas lágrimas com as lágrimas do céu.
Achei ser uma boa desculpa para quem observasse meus olhos vermelhos.
Me perguntaram.
- Tá brisado?
Respondi.
- Sim, de solidão.
O silêncio veio à tona, mas as lágrimas insistiam em fazer barulhos de correntezas incessantes...

Chellmí - 08.10.2013
Inspirado em minha tristeza e neste som: http://www.youtube.com/watch?v=rcfrOmO4lD4

terça-feira, 1 de outubro de 2013

CORAÇÃO


Dá linha vai mandado
Pois, não sou carretel para querer te enrolar
Com o coração pulsante e despedaçado
Não é a flecha do cupido que vai me encantar

Nas camas em que deitei sempre tive de corpos e almas presentes
Aos lábios que toquei procurei deixar o doce aroma do carinho
Em cada troca de olhar brilhavam quatro estrelas cadentes
A cada partida, um tombo, e eu prossigo sozinho

O te amo se banaliza na boca de quem brinca com o amor
Com os ouvidos tapados a língua se torna metralhadora
O fracasso é visível na face deste eterno sofredor
Resta-me pisar no asfalto e deixar as nuvens à sua brisa inspiradora

A fumaça do cigarro ocupa espaço na bolha da tristeza
A multidão em torno do solitário faz com que a lágrima caia
A brasa queima, o peito congela e o resultado é a fraqueza
A correnteza salgada que transborda meu rosto não fica de tocaia

O mundo berra e quem escuta?
O tempo é irrisório para quem corre na contramão?
Pergunto-me constantemente se vale a pena minha luta
Algumas vezes acho que sim, outras acho que não

Versos adolescentes que surgem no corpo adulto
Cadê a fé? Cadê a garra? Por onde anda a esperança?
A casca grossa da amargura para você é um insulto
Quando a moral é sequestrada, não adianta pagar fiança

Os calos das mãos somem, enquanto os da mente vêm à tona
Pálpebras quase intocáveis
Agora se reaproximam meus ósculos na lona
Em meio a dores imensuráveis

A chuva que cai no telhado não me molha literalmente
O céu soluça e eu escuto
A goteira em meu ser já não me faz tão contente
Pra quem não conhece a distância, considera ridículo meu luto

No universo do capital selvagem as sensibilidades se tornaram chacotas
A sutileza da exposição é mal vista
Delicadezas e sentimentos alguns julgam lorotas
Garantem que no mundo dos derrotados o meu nome é o primeiro da lista

Insanidade, razão, sonhos, afazeres seguem juntos
Se deslocar e transitar talvez sejam para poucos
Por mais que eu me esconda, são permanentes estes assuntos
Enquanto muitos querem se enquadrar, eu me reinvento na terra dos loucos

O que seria do azul se só existisse o vermelho?
O quadradismo vive em meio ao círculo
Já se perguntou o que hoje refletiu em seu espelho?
Não sei se me afasto ou se fortaleço o vínculo

Espero que a vitória um dia venha e que logo vá embora
Já se foi o tempo de gritar, é campeão!
Que o amor nunca seja da boca pra fora
Sei que não sou Rael, mas quem sabe um dia, eu também consiga seguir as batidas do meu coração.

Chellmí - Jovem Escritor Paulista
30.09.2013 - 23:35

sábado, 21 de setembro de 2013

EU SÓ QUERO LER


Eu só quero ler um livro
Eu só quero ler teus olhos
Eu só quero ler tuas feições
Eu só quero ler teus textos
Eu só quero ler quietinho
Eu só quero ler tuas pisadas
Eu só quero ler tua noite
Eu só quero ler teu dia
Eu só quero ler teu mundo
Eu só quero ler...
Eu só quero ler, porque lendo, eu sou menos escritor...

Chellmí - Jovem Escritor Paulista - 30.01.2013

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

EU NÃO POSSO FICAR SEM VOCÊ !



“Quantas belezas deixadas nos cantos da vida
Que ninguém quer e nem mesmo procura encontrar
E quando os sonhos se tornam esperanças perdidas
Que alguém deixou morrer sem nem mesmo tentar
Minha beleza encontro no samba que faço
Minhas tristezas se tornam um alegre cantar
É que carrego o samba bem dentro do peito
Sem a cadência do samba não posso ficar, ficar, ficar, ficar...”

Ficar mais um minuto sem você, é que não posso ficar
Dos cantos da vida centralizo minha alma pra firmar meu cantar
É cavaco, é banjo, equalize a sonzeira, é só chegar pra somar
Pegue uma flor e um arranjo, sem esperanças perdidas e volte pra amar
Encantar na estrada, pra na calçada sorrir e chorar
O rap que faço, o samba que faço vem pra viajar e voar
Devanear, alcançar o que as barreiras invisíveis tentaram frear
O chão de terra levanta poeira quando a preta começa sambar
Na cadência de nêgo véio me atento pra quem sabe um dia chegar
Em meio à arte do baluarte observo a destreza de seu espaço ocupar
Faço questão de terminar tudo em “ar” pra encher de amor os corações dos brutais
Na palma da mão vem com a gente, porque “não somos do samba, mas somos originais” 

Chellmí - JOVEM ESCRITOR PAULISTA - 03.12.2012

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

VEREDAS DO VESTIBULAR - 14 e 17 de Setembro de 2013

17/09/2013
CENTRO DE FORMAÇÃO CULTURAL CIDADE TIRADENTES
R: Inácio Monteiro, 3800. Cidade Tiradentes

14/09/2013
CENTRO CULTURAL DA JUVENTUDE RUTH CARDOSO
Av. Deputado Emílio Carlos, 3.641. Vila Nova Cachoeirinha - São Paulo/SP.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

TÁ, TÁ, TÁ, TÁ...

Traquina na sua infância adorava correr e trepar nas árvores do quintal de sua avó. Menino curioso, observador, sempre que possível soltava inúmeras perguntas a quem estivesse próximo a ele.
- Por que este galho é retorcido?
- Por que meu pé é cascudo?
- Por que não gosto de calçar sandália?
Geralmente quem o ouvia não aguentava tantas perguntas e logo perdiam a paciência.
- Tá, tá bom, não aguento mais suas perguntas.
- Tá, tá, tá.
Depois de certo tempo começou a se acostumar com o tal do tá.
O personagem que mais gostava no programa do Chaves, sabem qual era? Imaginem!
Lógico que era o professor Girafales, o garoto ficava admirado quando o Chaves chamava o professor de mestre linguiça. Ficava aguardando ansioso o mestre gritar "Tá, tá, tá, tá!"
E assim Traquina foi crescendo ao som dos tás, tanto é, que passava horas e horas na sua pré-adolescência infincando pregos em madeiras que de tantos furos lembravam queijos suíços.
Só que na flor de sua adolescência o colocaram o apelido de Tátá, todas meninas caçoavam dele e ninguém mais o deixava falar, era ligeiramente cortado pelo som do tá. Nem seus professores o deixava mais se expressar.
Um dia Traquina depois de chorar muito quebrou a TV bem no momento em que Girafales apareceu.
Saiu em disparada para casa de um conhecido que tinha uma arma escondida e a pediu emprestada.
Com muito custo e sem saber bem o que estava acontecendo o rapaz resolveu emprestar o canhão.
Traquina foi até o campinho próximo à sua casa e disparou várias vezes para o alto, Tá,tá,tá,tá... e refletiu.
- Funciona mesmo !
- Agora basta de tá, minha ingenuidade acabou. Acabou porque acabou para mim, é o fim da linha.
Traquina abriu a boca, mirou o canhão na mesma e apertou o gatilho, e de longe a vizinhança escutou o último tá de Traquina.
Na manhã seguinte um jornalista racista publicou uma matéria com o título: Tá, tá, tá, taí o que você queria, mais um preto morto governador. E o jornaleiro prossegue...
- Pena do Tátá mas, agora voltaremos a clarear as ideias.
Depois de ler esta matéria, com este título, os amigos que não escutavam Traquina passaram a pegar em armas e nunca mais pararam de atirar.
E desde então o TÁ,TÁ,TÁ,TÁ... se eternizou naquela quebrada.

Chellmí - Jovem Escritor Paulista
27.06.2013

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Chellmí - NAS RUAS DA BRASILÂNDIA


É forte ?

É o que tá posto !
Eu e mais alguns considerados malucos estamos na contramão do que está posto.
Nós, educando nossos pares para que não continue o extermínio dos nossos.
Sou pedagogo e não demagogo.
Cansa, mas eu luto por esta molecada. E meus amigos guerreiros também lutam.
SEM SUCRILHOS NO PRATO !


terça-feira, 7 de maio de 2013

OCUPA SARAU: A PERIFERIA VISTA NA BOLINHA DO OLHO - PRAÇA ZUMBI DOS PALMARES - 09.06.2013

É com uma enorme satisfação que realizaremos mais uma edição do Sarau - A PERIFERIA VISTA NA BOLINHA DO OLHO, desta vez na Praça Zumbi dos Palmares - Vila Nova Cachoeirinha - Zona Norte de São Paulo.
Ocupando o espaço público com simplicidade e grandes partilhas das culturas e manifestações arteiras das bordas de São Paulo.
Agir coletivamente acreditando que o derramamento de sangue não é a ponta da flecha das periferias do mundão. Articulação e lealdade que se enxergam nos fundilhos dos olhos em prol das esplendorosas trocas é a contra-mão do que está posto, e é por isso que fazemos questão de estar na via contrária nos arriscando neste trânsito sufocante da vida.
Fiquem atentos nas atualizações do que irá acontecer neste encontro.
Carinho retribuído aos que entendem a proposta e aos artistas mercenários do mundo das letras e de outros ventos que sejam bem-vindos, se "pisarem neste chão devagarinho..." caso contrário peguem outros becos que aqui o universo é horizontal !
Chellmí -  Jovem Escritor Paulista.

ORGANIZAÇÃO:
Chellmí - Projeto Espremedor - Amanda Prado - Banca Subterrâneo


CONFIRMADOS:

Samba do Congo (Brasilândia-Morro Grande) - NO SAMBA
Renata Prado (Itaim Paulista) - NA POESIA
Sonia Regina Bischain (Brasilândia) - NA POESIA
Fuzzil (Capão Redondo) - NA POESIA
Ruivo Lopes (Centro) - NA POESIA
Indy Naíse (Butantã) - NA POESIA
Lu'z Ribeiro (Guarapiranga) - NA POESIA
Luís Felipe Lucena (Mundão) - NA POESIA
ZoioOmc (Brasilândia) - NO RAP
Fanti Manumilde (Heliópolis) - NA POESIA
Mc Trexx (Jd. Pery) - NO RAP
Mano Réu (Brasilândia) - NO RAP
Flávio Casimiro (Jd. Pery) - NO RAP
D'Grand'Stilo (Heliópolis) - NO RAP
Isis Flores (Jaçanã) - NO GRAFFITI
Ed Lincoln (Pirituba) - NO GRAFFITI
Deeanto (Capão Redondo) - VENDA DE CAMISETAS
Dodo (Bairro do Limão) - NA POESIA E DISCOTECAGEM
Jardélio Santos (Vila Souza) - NA XILOGRAVURA 
Hélio Gonçalves Costa (São Bernardo) - NAS INTERVENÇÕES CIRCENSES
DJ Canelês (Brasilândia) - NA DISCOTECAGEM
Robson - Conteúdo Majestoso (Brasilândia) - NO RAP
Caiana, Alemck e Mild - CANIL (São José dos Campos) - NO GRAFFITI
Thiago Gonzales (Santana) - NA POESIA
Karen Rego (Cachoeirinha) - NA POESIA e no que mais quiser...
Cláudio Cákis (Suzano) - NA POESIA
Celinha Reis (Pompeia) - NA POESIA
Ana Fonseca - Perifatividade (Fundão do Ipiranga) - NA POESIA
Paulo Rams - Perifatividade (Fundão do Ipiranga) - NA POESIA
Messias (Pirituba) - NA POESIA
Felipe Nagô (Brasilândia) - NA POESIA
Bruno Perê (Jabaquara) - NO GRAFFITI
Dimy - SOMOS POBRE (Vila Penteado) - NO GRAFFITI
Jenny (Cachoeirinha) - NO RAP
Elaine Campos (Centro) - NA FOTOGRAFIA
ATIVIDADES:

- Varal de Xilo

- Alguns grafiteiros para ocupar os muros da praça.

- Carrinho de Mãoteca

- Editora Quilombola

- Identificação da Praça (Stencil)

- 30min. de discotecagem do Dodo e 30min. de discotecagem do Canelês (no começo do encontro).

- Banca para venda e troca de livros

- Pique-nique comunitário

- Espaço aberto para intervenções diversas



segunda-feira, 22 de abril de 2013

OS OLHOS DO MENINO-HOMEM


Os olhares se distanciaram tudo ficou ofuscado
O menino-homem, o homem-menino estava desamparado
Tentou olhar pro céu, mas, na tua cabeça tinham milhares de bigornas
Procurou as águas quentes, pois eram tão geladas e nunca ficavam mornas
Seus olhos caídos no silêncio profundo gritavam com o mundo
Indicadores apontados disparavam “bem feito vagabundo”
Com os olhos no espelho e o reflexo do mesmo nos olhos, estava iniciado o monólogo
Sugestão de benzedeira, sugestão de bagaceira, sugestão de psicólogo
Os olhos estavam sem vendas, porque nunca foram vendidos
O coração palpitava, mas, as visões percorriam cominhos perdidos
Sensação de vazio, numas de 24 por 48
Escuridão, muito frio, o homem-menino, o menino-homem seguia afoito
Teus olhos não enxergavam que suas canelas acabavam na cintura
O mandavam sorrir e que acabasse logo com aquela longa frescura
Seus cabelos caíam enquanto a fumaça preenchia os pulmões
Já não dormia direito e quando pregava as pálpebras, começavam as alucinações
Sonhos, pesadelos, devaneios, ele não entendia o que era
E os olhos marejavam enquanto na mente se abria cratera
Seus olhares queriam dizer para os ditos sábios que o môio não era o molho
Queriam esbravejar o que os sentimentos carregavam no fundilho do olho
Paciência, desespero, desespero, paciência, extremos próximos e distantes
Ciência, picadeiro, tempero, clemência, embruteceram seus diamantes
Um dia olhou pra relva, mas não conseguiu olhar para grama
Outro dia enxergou a cova no desejo que fosse sua cama
Foi pra de baixo da chuva e deitou-se sobre a lama
Fez tudo isso sozinho para que bico-sujo não interpretasse como melodrama
Chegou ensopado e sujo, abriu o portão e pegou o varal no quintal
Amarrou no pescoço e pendurou no inferno astral
Ficou vermelho, ficou cinza, ficou roxo, e não antecipou seu funeral
Caiu no chão e pensou consigo “nem pra partir eu tenho moral”
Levantou-se, deu 3 passos e no outro cômodo pegou a Ypioca e o Gardenal
Faltou coragem e disposição ao saber que a criançada ia passar mal
Depois de tudo isso seus olhos queimavam como brasa
Refletiu sobre o significado da Brasa na Brasa, deu bica na tristeza e a expulsou da sua casa
Os raios de sol não penetravam mais nas tuas íris
Aí se lembrou de quando sonhava em ser a oitava cor do arco-íris
Num processo árduo seus olhos aos poucos iam voltando a refletir algumas cores
Num processo mais acelerado foram partindo, tremores e rancores
Retornou a chapar com os livros e a se embriagar com a poesia
Arregalou os olhos e começou a observar que sua presença, bem fazia
O Gardenal dispensado no bueiro nunca mais esteve entre seus dedos
Os ratos fazendo festa no telhado já não aguçam mais seus medos
Seus olhos encantaram os olhos de alguém
Os olhos de alguém encantaram seus olhos também
Aqueles olhos baixos passaram a ser olhos atentos
Embora sejam olhos que memorizam constantemente os momentos de sofrimentos

Sem precisar de lentes de contato para ver que o mundo nunca será uma piscina com Confort, que seja suave, cor-de-rosa e só contente
Espero que quando suas bolinhas brilhantes decidirem se esconder, seus olhares de transparência eternizem nas memórias que cada minuto neste terreno o Menino-Homem foi muito mais que presente.

Chellmí - Jovem Escritor Paulista - 19.04.2013

terça-feira, 16 de abril de 2013

RAP E POESIA NA ZONA SUL - 28.04.2013

MUITO GRATO PELO CONVITE.

terça-feira, 2 de abril de 2013

VALE DOS ATALHOS DE SONIA BISCHAIN - 06.04.2013 - 20h30.

Uma das minhas Mãezonas irá lançar seu mais novo romance sábado no Sarau da Brasa.
Aqui fica o convite. Sonia Regina Bischain, você merece e muito que seus escritos sejam partilhados.
Saúde Guerreira !
Mais informações: http://brasasarau.blogspot.com.br/2013/04/vale-dos-atalhos-de-sonia-bischain.html

terça-feira, 19 de março de 2013

SAMBA: DESPEDIDAS...

Meu primeiro samba em parceria. Logo com minha grande irmã de rua.


DESPEDIDAS...

Samanta Biotti - Chellmí

Cheguei, Cheguei. Depois saí
Cantei, cantei. Pra distrair...
Sonhei, sonhei. E me perdi
Chorei, chorei. E não sorrí...

Ah ! Madrugada calada
Trilhou minha estrada
E hoje não tem fim
Sou aprendiz da alvorada
E o vento me fala
Quando prosseguir
Minha fala é cadenciada
Coberta de manto
Ancestral que não perdi
Sou viajante
Estou na encruzilhada
Pisando em lírios
Que você não permitiu
Estou fora, jogada nas traças
De uma memória
Tão fugaz e infantil...

Cheguei, Cheguei. Depois saí
Cantei, cantei. Pra distrair...
Sonhei, sonhei. E me perdi
Chorei, chorei. E não sorrí...

O dia clareou a jornada
Mas, distanciou rastelo e enxada
Onde estarás meu fim ?
Vou buscar minha morada
Em meio um sonho sem fala
Como irei sorrir ?
Está indo numa longa estrada
Longe do centro e perto do canto
No teu brilho que não vi
Não sou gigante
Mas, não há nada
O que fazer depois que partiu
Fui pra escanteio, fiquei sem graça
Hoje sou o grão e você é meu funil...

Cheguei, Cheguei. Depois saí
Cantei, cantei. Pra distrair...
Sonhei, sonhei. E me perdi
Chorei, chorei. E não sorrí...

Samanta Biotti - Chellmí _________24.02.2013_________02h25min.

terça-feira, 5 de março de 2013

I SEMINÁRIO DE LITERATURA DA PERIFERIA

I SEMINÁRIO DE LITERATURA DA
PERIFERIA.




O seminário pretende discutir e analisar a produção literária das periferias, em SP e fora do estado, com base nos eixos: Política, Educação e Estética, em três palestras/debate com a presença de escritores/as (poetas e prosadores) educadores/as e pesquisadores/as que atuam e refletem o tema.




Dias: 15, 16 e 17 de março de 2013.




Local: Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso
Av. Deputado Emílio Carlos, 3.641. Vila Nova Cachoeirinha. Zona Norte.
(ao lado do terminal Cachoeirinha)

Organização: Sarau da Brasa, Sarau Elo da Corrente, Projeto Espremedor e CCJ Ruth Cardoso.

Projeto contemplado no Edital de Ocupação do CCJ.
PROGRAMAÇÃO:




15/03/13 (sexta-feira)- das 18h às 20h
Tema: Literatura da periferia e política: trança de raiz?
Sinopse: Entre manifestos e manifestações a literatura da periferia parece gritar em todos os seus temas. Nela o direito à existência é afirmado na denúncia e no amor, na dureza da narrativa e no gozo do verso e vice-versa. A proposta é discutir quais são as aproximações ente a produção literária da periferia (oral e escrita) e a ação política inerente ao ser social. Onde elas se encontram? Ou mesmo, é possível existirem separadas?
Palestrantes: Nelson Maca (BA) e Ruivo Lopes (SP)
Mediador: Diego Arias (Sarau da Brasa)




16/03/13 (sábado)- das 18h às 20h
Tema: Barreiras visíveis e invisíveis: Teorias e práticas que se entrelaçam na Educação e na Literatura da periferia.
Sinopse: A proposta é que os convidados discorram sobre suas atuações entre o universo da Educação e da criação literária da periferia, suas visões e perspectivas neste trânsito de conhecimentos que podem potencializar cada vez mais as relações sociais. Como encontrar brechas para aguçar o imaginário dos educandos no ensino formal, como desenvolver ações no ensino dito informal, em que saraus, centros culturais independentes estão em movimento, engrossarão o caldo neste encontro.
Palestrantes: Allan da Rosa (SP) e Celinha Reis (SP)
Mediador: Michell da Silva - Chellmí (Sarau da Brasa)




17/03/13 (domingo) - das 17h às 19h
Tema: Entre as frestas da forma: Rachaduras e horizontes.
Sinopse: A mesa propõe discutir e analisar o desenvolvimento estético da literatura da periferia (oral e escrito), a relação e os entraves com a atuação engajada de seus protagonistas.
Palestrantes: Cidinha da Silva (MG) e Érica Peçanha (SP)
Mediador: Michel Yakini (Sarau Elo da Corrente).


MAIS INFORMAÇÕES: http://ccjuve.prefeitura.sp.gov.br/2013/02/26/i-feira-literaria-do-ccj-2/

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

NEGUINHA NÃO. NEGRA !


Neguinha não. Negra !

O meu cabelo é chapado sem precisar de chapinha
Canto rap com amor, esta é minha linha
Sou criança, sou negra, também sou resistência
Racismo aqui não, se não gostou paciência

Meu cabelo não é ruim, meu cabelo não é duro
Sou negra guerreira, não moreninha em cima do muro
Deixo a Susi e a Barbie de lado e brinco com boneca preta Makena
Pele branca, raça pura, que piada, só lamento, que pena
Epiderme, melanina, amo minha família, nosso povo, esse mundo
Molecada, não importa a cor, quando o sentimento é verdadeiro e profundo

O meu cabelo é chapado sem precisar de chapinha
Canto rap com amor, esta é minha linha
Sou criança, sou negra, também sou resistência
Racismo aqui não, se não gostou paciência

Peço paciência, mas estou pronta pro combate
Cabelo crespo ao vento, piadinha tosca não faça, senão começa o debate
Qual a diferença entre mim e uma branca norte-americana ?
Fora o tom da pele, talvez seja status e grana
Já disse ! sou criança, mas ninguém me engana dizendo que preconceito não existe
Com alegria e simplicidade ergo o punho e grito: Aqui a negra existe e resiste !

O meu cabelo é chapado sem precisar de chapinha
Canto rap com amor, esta é minha linha
Sou criança, sou negra, também sou resistência
Racismo aqui não, se não gostou paciência
                                  
                                     Chellmí – 30.01.2013 – Para Mc Sophia (8 anos). Neta de Lucia Makena.