quinta-feira, 31 de outubro de 2013

VENTANIA


Ei você, sim, você mesmo.
Escute, se for água, óbvio.
Hoje eu conversei com o barro, discuti com a pedra, ganhei carinhos da areia e me deitei no ar.
Espero que a natureza da minha multipolaridade continue me dando a chance de pairar entre os odores das flores e os perfumes dos lixos, e assim continuar sendo um ser de vento.
Agora com licença, pois preciso esticar meus ventos sobre uma rede de galhos. 

Chellmí - Jovem Escritor Paulista : 29/10/2013

terça-feira, 29 de outubro de 2013

INCENTIVO AS LEITURAS: AS AÇÕES CULTURAIS NAS PERIFERIAS GRITAM, E QUEM AS ESCUTA ?

Ocorreu um pequeno erro na divulgação, sem problema. O título do meu colóquio será:
 INCENTIVO AS LEITURAS: AS AÇÕES CULTURAIS NAS PERIFERIAS GRITAM, E QUEM AS ESCUTA ?

sábado, 12 de outubro de 2013

BRINCANDO



Tem pião, bolinha de gude e futebol com bola de durex
No jogo de damas há espaço para cavalheiros e as ideias chegam sem sedex
Entregue as cartas, a leitura fica por conta do olhar
No pega-pega do lápis não se esconde-esconde o coração e seu palpitar
Corre pra lá, corre pra cá, aprende com a fúria ao lado
O brincar depende do outro para que seu universo não seja engessado
Seja na grama ou no concreto, na terra ou na areia
A descoberta do mundo tem que pulsar na alma e na veia
O encontro que proporciona o desencontro consigo
A disputa em que o celular chama mais atenção que um amigo
Sorrisos, insultos e devaneios que quebram a lógica do que está posto
A poesia que na Arte do encontro é o que dá gosto
Saborear cada momento como se fosse o mais doce da vida
Para se encontrar mesmo não tendo saída na história que parecia perdida
Que minhas palavras atravessem tempos e fiquem na lembrança
Pois na minha vida sempre existirá um adulto-criança.

CHELLMÍ - 11.10.2013. 
OBRIGADO POR EXISTIREM NA MINHA VIDA MOLECADA, SE NÃO FOSSEM VOCÊS EU JÁ TERIA PARTIDO.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

LEPTOSPIROSE: OS RATOS QUE SONHAM EM SER ASTROS


Naquelas bordas tidas como grande lixão habitavam muitos ratos, principalmente os cinzas. A população se dividia em relação aos ratos, parte considerava primordial a presença deles, diziam que sem eles o dito lixão não teria jeito nunca, a outra parte não suportava vê-los nem de longe e quando se aproximavam causavam muito medo e aguçavam um sentimento de ódio.
Os ratos eram ligeiros, andavam sempre em bando, nunca estavam sozinhos, como eram tão gordos, gorduras estas que faziam questão de manter, beliscando diariamente coxinhas nos bares e padarias da região, ops, do lixão, começaram a se locomover com suas ratoturas. Elas eram até certo ponto engraçadas, pois tinham umas luzes vermelhas que ficavam girando, porém era um terror para aqueles que tinham pavor daqueles ratos.
Havia ratos que se entocavam de dia e ratos que se entocavam de noite, mas o que existia em comum em todos eles, era a vontade de sair da toca para tentar fazer a limpeza no dito lixão, saíam enfurecidos, seus olhos ficavam da cor das luzes que giravam nas ratoturas e disparavam rapidamente para começarem a ratortura.
A população se assustava quando os ratos se espalhavam pelas ruas, becos e vielas da região, principalmente quando pediam ajuda do ratocoptero, uma espécie de ratazana enorme que podia voar lá de cima a ratazana mirava o território com seu olhar, olhar este que atingia aquela geografia com grandes focos de luz, enquanto o barulho das asas do ratocoptero deixava parte dos moradores perplexos e angustiados.
Os ratos sabiam jogar, eram estrategistas, eram programados, pareciam robôs que cumpriam ordens do rato mais sujo e perverso de todos, ele era conhecido como Estadozana, muito temido pelos que iam contra suas imposições. Estadozana queria colocar a população do dito lixão na chapa, assim como fazia com a corporação queijo quente, queria derrete-los para ficarem molinhos e moldá-los, para depois engoli-los sem mastigar, uma prática intencional do Estadozana desde que se conhece por monstro.
Tem rato que não se contenta em ser rato, alguns querem se tornar caveiras, os gordos até pararam de frequentar padarias e de beliscarem coxinhas para ficarem sequinhos igual caveiras, a caveira tem faca e tudo, os pêlos das caveiras não são mais cinzas, são pretos, vejam que evolução da espécie, agora eles conseguem se camuflar na escuridão. Outro nível hein!
Aos finais de semana os ratos se disfarçam, uns viram passarinhos, outros sapos, alguns conseguem virar cobras, e o veneno se espalha para fora do lixão. Chega a ser patético pensar que enquanto o Estadozana reside num palácio que dizem ser bem distante do lixão, os ratinhos moram no lixão e têm que se disfarçarem de Bem-te-vi para sair na rua, os ratinhos pensam que um dia poderão ser astros, se encherem de condecorações e habitavam uma toca melhor. É triste saber que menos de 1% percebe isto e se torna leão na selva de pedras.
Tanto os ratinhos como o Estadozana têm um habito que é compartilhado sem reclamações entre eles, sabem qual? O de derramar sangue adoram jorrar sangue inocente de leões negros e pobres, se for presa jovem nos ditos lixões, aí eles comemoram, disparam para o alto, para baixo, com suas ratalhadoras, para onde o focinho mirar tá valendo, o que manda é brindar com sangue alheio.
Às vezes eles rondam as escolas das bordas para se sentirem astros, para se camuflarem em curiós que cantam bonito, você deve estar se perguntando, são ratos ou camaleões? Em princípio ratos que pensam terem poderes que os transformem em camaleões, ou seja, querem dar nó em pingo d’água.
A natureza é selvagem e dá o troco, aos poucos, leões, tigres, elefantes, garças, cavalos vão mostrando que vai dar zebra. O Estadozana gosta tanto de sangue, ele terá, alguns leões já estão preparando seus corações e suas mentes para o mar de sangue, a luta será armada e os ratocopteros, as ratoturas, assim como qualquer espécie desses tipos de ratos vão ficar imersos nas ondas vermelhas.

Enquanto isso não acontece, resta à fauna se unir para que os ratos não se proliferem sonhando em serem astros. 

Chellmí - Jovem Escritor Paulista - 01.10.2013
 (21 anos depois da matança no Carandiru)

terça-feira, 8 de outubro de 2013

SOLIDÃO OU SOLIDEZ ?


Hoje me deu vontade de chorar, aí eu chorei.
Saí pra rua, estava chovendo. Pensei.
Vou misturar minhas lágrimas com as lágrimas do céu.
Achei ser uma boa desculpa para quem observasse meus olhos vermelhos.
Me perguntaram.
- Tá brisado?
Respondi.
- Sim, de solidão.
O silêncio veio à tona, mas as lágrimas insistiam em fazer barulhos de correntezas incessantes...

Chellmí - 08.10.2013
Inspirado em minha tristeza e neste som: http://www.youtube.com/watch?v=rcfrOmO4lD4

terça-feira, 1 de outubro de 2013

CORAÇÃO


Dá linha vai mandado
Pois, não sou carretel para querer te enrolar
Com o coração pulsante e despedaçado
Não é a flecha do cupido que vai me encantar

Nas camas em que deitei sempre tive de corpos e almas presentes
Aos lábios que toquei procurei deixar o doce aroma do carinho
Em cada troca de olhar brilhavam quatro estrelas cadentes
A cada partida, um tombo, e eu prossigo sozinho

O te amo se banaliza na boca de quem brinca com o amor
Com os ouvidos tapados a língua se torna metralhadora
O fracasso é visível na face deste eterno sofredor
Resta-me pisar no asfalto e deixar as nuvens à sua brisa inspiradora

A fumaça do cigarro ocupa espaço na bolha da tristeza
A multidão em torno do solitário faz com que a lágrima caia
A brasa queima, o peito congela e o resultado é a fraqueza
A correnteza salgada que transborda meu rosto não fica de tocaia

O mundo berra e quem escuta?
O tempo é irrisório para quem corre na contramão?
Pergunto-me constantemente se vale a pena minha luta
Algumas vezes acho que sim, outras acho que não

Versos adolescentes que surgem no corpo adulto
Cadê a fé? Cadê a garra? Por onde anda a esperança?
A casca grossa da amargura para você é um insulto
Quando a moral é sequestrada, não adianta pagar fiança

Os calos das mãos somem, enquanto os da mente vêm à tona
Pálpebras quase intocáveis
Agora se reaproximam meus ósculos na lona
Em meio a dores imensuráveis

A chuva que cai no telhado não me molha literalmente
O céu soluça e eu escuto
A goteira em meu ser já não me faz tão contente
Pra quem não conhece a distância, considera ridículo meu luto

No universo do capital selvagem as sensibilidades se tornaram chacotas
A sutileza da exposição é mal vista
Delicadezas e sentimentos alguns julgam lorotas
Garantem que no mundo dos derrotados o meu nome é o primeiro da lista

Insanidade, razão, sonhos, afazeres seguem juntos
Se deslocar e transitar talvez sejam para poucos
Por mais que eu me esconda, são permanentes estes assuntos
Enquanto muitos querem se enquadrar, eu me reinvento na terra dos loucos

O que seria do azul se só existisse o vermelho?
O quadradismo vive em meio ao círculo
Já se perguntou o que hoje refletiu em seu espelho?
Não sei se me afasto ou se fortaleço o vínculo

Espero que a vitória um dia venha e que logo vá embora
Já se foi o tempo de gritar, é campeão!
Que o amor nunca seja da boca pra fora
Sei que não sou Rael, mas quem sabe um dia, eu também consiga seguir as batidas do meu coração.

Chellmí - Jovem Escritor Paulista
30.09.2013 - 23:35