quinta-feira, 10 de outubro de 2013

LEPTOSPIROSE: OS RATOS QUE SONHAM EM SER ASTROS


Naquelas bordas tidas como grande lixão habitavam muitos ratos, principalmente os cinzas. A população se dividia em relação aos ratos, parte considerava primordial a presença deles, diziam que sem eles o dito lixão não teria jeito nunca, a outra parte não suportava vê-los nem de longe e quando se aproximavam causavam muito medo e aguçavam um sentimento de ódio.
Os ratos eram ligeiros, andavam sempre em bando, nunca estavam sozinhos, como eram tão gordos, gorduras estas que faziam questão de manter, beliscando diariamente coxinhas nos bares e padarias da região, ops, do lixão, começaram a se locomover com suas ratoturas. Elas eram até certo ponto engraçadas, pois tinham umas luzes vermelhas que ficavam girando, porém era um terror para aqueles que tinham pavor daqueles ratos.
Havia ratos que se entocavam de dia e ratos que se entocavam de noite, mas o que existia em comum em todos eles, era a vontade de sair da toca para tentar fazer a limpeza no dito lixão, saíam enfurecidos, seus olhos ficavam da cor das luzes que giravam nas ratoturas e disparavam rapidamente para começarem a ratortura.
A população se assustava quando os ratos se espalhavam pelas ruas, becos e vielas da região, principalmente quando pediam ajuda do ratocoptero, uma espécie de ratazana enorme que podia voar lá de cima a ratazana mirava o território com seu olhar, olhar este que atingia aquela geografia com grandes focos de luz, enquanto o barulho das asas do ratocoptero deixava parte dos moradores perplexos e angustiados.
Os ratos sabiam jogar, eram estrategistas, eram programados, pareciam robôs que cumpriam ordens do rato mais sujo e perverso de todos, ele era conhecido como Estadozana, muito temido pelos que iam contra suas imposições. Estadozana queria colocar a população do dito lixão na chapa, assim como fazia com a corporação queijo quente, queria derrete-los para ficarem molinhos e moldá-los, para depois engoli-los sem mastigar, uma prática intencional do Estadozana desde que se conhece por monstro.
Tem rato que não se contenta em ser rato, alguns querem se tornar caveiras, os gordos até pararam de frequentar padarias e de beliscarem coxinhas para ficarem sequinhos igual caveiras, a caveira tem faca e tudo, os pêlos das caveiras não são mais cinzas, são pretos, vejam que evolução da espécie, agora eles conseguem se camuflar na escuridão. Outro nível hein!
Aos finais de semana os ratos se disfarçam, uns viram passarinhos, outros sapos, alguns conseguem virar cobras, e o veneno se espalha para fora do lixão. Chega a ser patético pensar que enquanto o Estadozana reside num palácio que dizem ser bem distante do lixão, os ratinhos moram no lixão e têm que se disfarçarem de Bem-te-vi para sair na rua, os ratinhos pensam que um dia poderão ser astros, se encherem de condecorações e habitavam uma toca melhor. É triste saber que menos de 1% percebe isto e se torna leão na selva de pedras.
Tanto os ratinhos como o Estadozana têm um habito que é compartilhado sem reclamações entre eles, sabem qual? O de derramar sangue adoram jorrar sangue inocente de leões negros e pobres, se for presa jovem nos ditos lixões, aí eles comemoram, disparam para o alto, para baixo, com suas ratalhadoras, para onde o focinho mirar tá valendo, o que manda é brindar com sangue alheio.
Às vezes eles rondam as escolas das bordas para se sentirem astros, para se camuflarem em curiós que cantam bonito, você deve estar se perguntando, são ratos ou camaleões? Em princípio ratos que pensam terem poderes que os transformem em camaleões, ou seja, querem dar nó em pingo d’água.
A natureza é selvagem e dá o troco, aos poucos, leões, tigres, elefantes, garças, cavalos vão mostrando que vai dar zebra. O Estadozana gosta tanto de sangue, ele terá, alguns leões já estão preparando seus corações e suas mentes para o mar de sangue, a luta será armada e os ratocopteros, as ratoturas, assim como qualquer espécie desses tipos de ratos vão ficar imersos nas ondas vermelhas.

Enquanto isso não acontece, resta à fauna se unir para que os ratos não se proliferem sonhando em serem astros. 

Chellmí - Jovem Escritor Paulista - 01.10.2013
 (21 anos depois da matança no Carandiru)

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