segunda-feira, 22 de abril de 2013

OS OLHOS DO MENINO-HOMEM


Os olhares se distanciaram tudo ficou ofuscado
O menino-homem, o homem-menino estava desamparado
Tentou olhar pro céu, mas, na tua cabeça tinham milhares de bigornas
Procurou as águas quentes, pois eram tão geladas e nunca ficavam mornas
Seus olhos caídos no silêncio profundo gritavam com o mundo
Indicadores apontados disparavam “bem feito vagabundo”
Com os olhos no espelho e o reflexo do mesmo nos olhos, estava iniciado o monólogo
Sugestão de benzedeira, sugestão de bagaceira, sugestão de psicólogo
Os olhos estavam sem vendas, porque nunca foram vendidos
O coração palpitava, mas, as visões percorriam cominhos perdidos
Sensação de vazio, numas de 24 por 48
Escuridão, muito frio, o homem-menino, o menino-homem seguia afoito
Teus olhos não enxergavam que suas canelas acabavam na cintura
O mandavam sorrir e que acabasse logo com aquela longa frescura
Seus cabelos caíam enquanto a fumaça preenchia os pulmões
Já não dormia direito e quando pregava as pálpebras, começavam as alucinações
Sonhos, pesadelos, devaneios, ele não entendia o que era
E os olhos marejavam enquanto na mente se abria cratera
Seus olhares queriam dizer para os ditos sábios que o môio não era o molho
Queriam esbravejar o que os sentimentos carregavam no fundilho do olho
Paciência, desespero, desespero, paciência, extremos próximos e distantes
Ciência, picadeiro, tempero, clemência, embruteceram seus diamantes
Um dia olhou pra relva, mas não conseguiu olhar para grama
Outro dia enxergou a cova no desejo que fosse sua cama
Foi pra de baixo da chuva e deitou-se sobre a lama
Fez tudo isso sozinho para que bico-sujo não interpretasse como melodrama
Chegou ensopado e sujo, abriu o portão e pegou o varal no quintal
Amarrou no pescoço e pendurou no inferno astral
Ficou vermelho, ficou cinza, ficou roxo, e não antecipou seu funeral
Caiu no chão e pensou consigo “nem pra partir eu tenho moral”
Levantou-se, deu 3 passos e no outro cômodo pegou a Ypioca e o Gardenal
Faltou coragem e disposição ao saber que a criançada ia passar mal
Depois de tudo isso seus olhos queimavam como brasa
Refletiu sobre o significado da Brasa na Brasa, deu bica na tristeza e a expulsou da sua casa
Os raios de sol não penetravam mais nas tuas íris
Aí se lembrou de quando sonhava em ser a oitava cor do arco-íris
Num processo árduo seus olhos aos poucos iam voltando a refletir algumas cores
Num processo mais acelerado foram partindo, tremores e rancores
Retornou a chapar com os livros e a se embriagar com a poesia
Arregalou os olhos e começou a observar que sua presença, bem fazia
O Gardenal dispensado no bueiro nunca mais esteve entre seus dedos
Os ratos fazendo festa no telhado já não aguçam mais seus medos
Seus olhos encantaram os olhos de alguém
Os olhos de alguém encantaram seus olhos também
Aqueles olhos baixos passaram a ser olhos atentos
Embora sejam olhos que memorizam constantemente os momentos de sofrimentos

Sem precisar de lentes de contato para ver que o mundo nunca será uma piscina com Confort, que seja suave, cor-de-rosa e só contente
Espero que quando suas bolinhas brilhantes decidirem se esconder, seus olhares de transparência eternizem nas memórias que cada minuto neste terreno o Menino-Homem foi muito mais que presente.

Chellmí - Jovem Escritor Paulista - 19.04.2013

terça-feira, 16 de abril de 2013

terça-feira, 2 de abril de 2013

VALE DOS ATALHOS DE SONIA BISCHAIN - 06.04.2013 - 20h30.

Uma das minhas Mãezonas irá lançar seu mais novo romance sábado no Sarau da Brasa.
Aqui fica o convite. Sonia Regina Bischain, você merece e muito que seus escritos sejam partilhados.
Saúde Guerreira !
Mais informações: http://brasasarau.blogspot.com.br/2013/04/vale-dos-atalhos-de-sonia-bischain.html

terça-feira, 19 de março de 2013

SAMBA: DESPEDIDAS...

Meu primeiro samba em parceria. Logo com minha grande irmã de rua.


DESPEDIDAS...

Samanta Biotti - Chellmí

Cheguei, Cheguei. Depois saí
Cantei, cantei. Pra distrair...
Sonhei, sonhei. E me perdi
Chorei, chorei. E não sorrí...

Ah ! Madrugada calada
Trilhou minha estrada
E hoje não tem fim
Sou aprendiz da alvorada
E o vento me fala
Quando prosseguir
Minha fala é cadenciada
Coberta de manto
Ancestral que não perdi
Sou viajante
Estou na encruzilhada
Pisando em lírios
Que você não permitiu
Estou fora, jogada nas traças
De uma memória
Tão fugaz e infantil...

Cheguei, Cheguei. Depois saí
Cantei, cantei. Pra distrair...
Sonhei, sonhei. E me perdi
Chorei, chorei. E não sorrí...

O dia clareou a jornada
Mas, distanciou rastelo e enxada
Onde estarás meu fim ?
Vou buscar minha morada
Em meio um sonho sem fala
Como irei sorrir ?
Está indo numa longa estrada
Longe do centro e perto do canto
No teu brilho que não vi
Não sou gigante
Mas, não há nada
O que fazer depois que partiu
Fui pra escanteio, fiquei sem graça
Hoje sou o grão e você é meu funil...

Cheguei, Cheguei. Depois saí
Cantei, cantei. Pra distrair...
Sonhei, sonhei. E me perdi
Chorei, chorei. E não sorrí...

Samanta Biotti - Chellmí _________24.02.2013_________02h25min.

terça-feira, 5 de março de 2013

I SEMINÁRIO DE LITERATURA DA PERIFERIA

I SEMINÁRIO DE LITERATURA DA
PERIFERIA.




O seminário pretende discutir e analisar a produção literária das periferias, em SP e fora do estado, com base nos eixos: Política, Educação e Estética, em três palestras/debate com a presença de escritores/as (poetas e prosadores) educadores/as e pesquisadores/as que atuam e refletem o tema.




Dias: 15, 16 e 17 de março de 2013.




Local: Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso
Av. Deputado Emílio Carlos, 3.641. Vila Nova Cachoeirinha. Zona Norte.
(ao lado do terminal Cachoeirinha)

Organização: Sarau da Brasa, Sarau Elo da Corrente, Projeto Espremedor e CCJ Ruth Cardoso.

Projeto contemplado no Edital de Ocupação do CCJ.
PROGRAMAÇÃO:




15/03/13 (sexta-feira)- das 18h às 20h
Tema: Literatura da periferia e política: trança de raiz?
Sinopse: Entre manifestos e manifestações a literatura da periferia parece gritar em todos os seus temas. Nela o direito à existência é afirmado na denúncia e no amor, na dureza da narrativa e no gozo do verso e vice-versa. A proposta é discutir quais são as aproximações ente a produção literária da periferia (oral e escrita) e a ação política inerente ao ser social. Onde elas se encontram? Ou mesmo, é possível existirem separadas?
Palestrantes: Nelson Maca (BA) e Ruivo Lopes (SP)
Mediador: Diego Arias (Sarau da Brasa)




16/03/13 (sábado)- das 18h às 20h
Tema: Barreiras visíveis e invisíveis: Teorias e práticas que se entrelaçam na Educação e na Literatura da periferia.
Sinopse: A proposta é que os convidados discorram sobre suas atuações entre o universo da Educação e da criação literária da periferia, suas visões e perspectivas neste trânsito de conhecimentos que podem potencializar cada vez mais as relações sociais. Como encontrar brechas para aguçar o imaginário dos educandos no ensino formal, como desenvolver ações no ensino dito informal, em que saraus, centros culturais independentes estão em movimento, engrossarão o caldo neste encontro.
Palestrantes: Allan da Rosa (SP) e Celinha Reis (SP)
Mediador: Michell da Silva - Chellmí (Sarau da Brasa)




17/03/13 (domingo) - das 17h às 19h
Tema: Entre as frestas da forma: Rachaduras e horizontes.
Sinopse: A mesa propõe discutir e analisar o desenvolvimento estético da literatura da periferia (oral e escrito), a relação e os entraves com a atuação engajada de seus protagonistas.
Palestrantes: Cidinha da Silva (MG) e Érica Peçanha (SP)
Mediador: Michel Yakini (Sarau Elo da Corrente).


MAIS INFORMAÇÕES: http://ccjuve.prefeitura.sp.gov.br/2013/02/26/i-feira-literaria-do-ccj-2/

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

NEGUINHA NÃO. NEGRA !


Neguinha não. Negra !

O meu cabelo é chapado sem precisar de chapinha
Canto rap com amor, esta é minha linha
Sou criança, sou negra, também sou resistência
Racismo aqui não, se não gostou paciência

Meu cabelo não é ruim, meu cabelo não é duro
Sou negra guerreira, não moreninha em cima do muro
Deixo a Susi e a Barbie de lado e brinco com boneca preta Makena
Pele branca, raça pura, que piada, só lamento, que pena
Epiderme, melanina, amo minha família, nosso povo, esse mundo
Molecada, não importa a cor, quando o sentimento é verdadeiro e profundo

O meu cabelo é chapado sem precisar de chapinha
Canto rap com amor, esta é minha linha
Sou criança, sou negra, também sou resistência
Racismo aqui não, se não gostou paciência

Peço paciência, mas estou pronta pro combate
Cabelo crespo ao vento, piadinha tosca não faça, senão começa o debate
Qual a diferença entre mim e uma branca norte-americana ?
Fora o tom da pele, talvez seja status e grana
Já disse ! sou criança, mas ninguém me engana dizendo que preconceito não existe
Com alegria e simplicidade ergo o punho e grito: Aqui a negra existe e resiste !

O meu cabelo é chapado sem precisar de chapinha
Canto rap com amor, esta é minha linha
Sou criança, sou negra, também sou resistência
Racismo aqui não, se não gostou paciência
                                  
                                     Chellmí – 30.01.2013 – Para Mc Sophia (8 anos). Neta de Lucia Makena. 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

2012 - O ANO EM QUE MINHA TERRA QUASE PAROU !

ENTREVISTA PARA - PROJETO IMPROVISADO - 28.10.2012
Sem dúvida este ano de 2012 foi um divisor de águas na minha vida.

Pude ver um sonho lindo escorrer pelas guias do destino e ir parar nos bueiros da amargura e eu ali, imerso na lama. Um ano em que eu e muitas outras pessoas, próximas ou não, viram 17kg do meu corpo evaporarem sabe-se lá para onde.

Ainda não consigo passar em frente lojas de material de construção, não consigo escutar alguns sambas, que a dor, as dores abalam meu íntimo, porém confesso que já estive pior.

No ano em que estava planejado para eu fazer o mais belo gol da minha vida, me restou o escanteio, a linha de fundo “minhas pernas consadas correram pro nada e o time do tempo parou...”.

Um ano em que me deparei comigo mesmo e assim sigo diariamente, morando só, ficando em choque com os ratos que fazem a festa sobre o telhado, matando uma barata aqui, observando uma largatixa acolá, mas sigo, sigo...

Pude observar quanto sou querido pelos meus amigos, chegaram até mim palavras confortantes de quem eu menos esperava, quantos me viram e ainda me veem chorar, saibam que cada um destes tem espaço garantido no meu coração, e eles sabem como o Chellmí encara e vive suas relações, por isso deixo para cada um minha gratidão por momentos em que não me deixaram só.

Em meio ao caos dos meus pensamentos, sei lá de onde consegui tirar foraças para continuar caminhando, foi o ano em que mais trabalhei na vida, a queda de cabelo, a insônia apareceram para acabar com meu físico, mas para que eu pensasse como sair mesmo que temporariamente do abismo em que me encontrava.

As ações coletivas foram as forças que me fizeram prosseguir, por isso agradeço de coração aberto aos meus irmãos do Coletivo Cultural Poesia Na Brasa que estiveram comigo sempre e que este ano não foi diferente, que viram e vivenciaram meu sofrimento, me incluindo ainda mais em suas vidas, eu amo muito vocês. Ao Claytão do Projeto Espremedor, muito obrigado por tudo, por tudo mesmo, eu te amo demais meu irmão e você tá ligado, valeu pelas trocas este ano e por fortalecer nossa quebrada com tanto esforço e empenho. Ao Sarau Elo da Corrente em Pirituba, meus irmãos, valeu Michel Yakini por grandes trocas esse ano, suas palavras foram muito importantes para mim, valeu Raquel, Du, sem palavras. Banca Subterrâneo e Eskuadrão Maloka, valeu pelo apoio, sem palavras. Joks, Canela e outros, valeu pelo Entre Becos e Vielas, Tudo Acaba em Coletivo, evento que deixa a quebrada mais colorida, muito louco. Meus amigos de infância que se dispuseram para compreender, ou tentar compreender minhas ações e partilhar alguns momentos comigo. Ao Sarau Perifatividade que sempre me acolheu muito bem, desde a primeira vez que pisei naquele terreno, muito grato, ao Sarau da Ocupação que me ensinou muito desde 2011, que me fez observar que a luta individual não existe e que a coletividade é uma arma potente contra as inúmeras injustiças sociais, valeu Ruivo e companhia, as guerreiras do Sarau da Ademar, que infelizmente não pude comparecer por lá este ano, mas que nos trombamos pelos becos do mundo várias vezes, as Mães de Maio pela garra e pela vida, ao Soró e toda Comunidade Quilombaque pela luta e garra de continuar e enfrentar as grandes barreiras da burrocracia, ao Cicas, ao Grupo Bolinho que somou em algumas ações conosco, ao Projeto Improvisado que surgiu com a força toda, ao Avelino Regicida que vem numa crescente monstra tanto nos projetos quanto nas trocas de pensamento, ao Quilombrasa que na bolinha de meia segue firme e forte, aos que participaram do Sarau - Literatura Independente: A Periferia Vista Na Bolinha do Olho ( http://www.chellmisp.blogspot.com.br/p/sarau-literatura-independente-periferia.html ), que para mim foi um dos momentos mais importantes da minha vida, aos educadores do Tomie Ohtake por me darem a oportunidade de partilhar com outros jovens em formação e não em formatação, um enorme carinho pelos monitores do CCJ Ruth Cardoso que compreenderam minhas passagens por aquele espaço e as relações que foram sendo criadas, aos reais companheiros da Fábrica de Cultura que aos poucos foram sentindo o porque eu estava e estou neste espaço, a Dolores por acreditar e confiar nas propostas, um grande sentimento de gratidão à minha tia Vera e meu tio Marcos por tentarem me confortar em momentos tão difíceis neste ano. Seu Leile, Bahia, Dona Cida, talvez vocês nunca leiam isso, mas vocês fazem parte desta história, pena que não deu tempo de eu partilhar mais ações com vocês, eu os amo muito. Aos meus mestres, Ubirajara Dias de Melo, Sonia Kruppa, Maria Ângela Salvadori, Ângela Castelo Branco, Sonia Regina Bischain, Allan da Rosa, um grande sentimento bom por poder ter tido a honra de conhecê-los.

Se eu colocar o nome de todos aqui é bem provável que vou esquecer de alguns, por isso quem somou sabe que somou e muito, um grande beijo e muito carinho aos amigos que conquistei e os que reconquistei, não caberia o nome de todos por aqui.

Ano intenso com muito trabalho, se liguem:
 
Este ano quase minha Terra parou, mas com o coração puro, pude perdoar minha mãe, ser perdoado, pagar de louco e amar minhas irmãs, sem nenhum sentimento ruim, as humilhações é só deixar que o tempo apague, o que liga é ser um homem sem rancor, sem sentimentos rasos.

Obrigado Deus, obrigado Nossa Senhora Aparecida, obrigado aos agnósticos e ateus por me fazer um ser mais respeitoso.

Pai, mãe, irmãs, sobrinhos, Dona Cida, Seu Leile, Sarau da Brasa, Claytão – AMO VOCÊS !
 
MÚSICA QUE ME MARCOU.
Que venha 2013 – “PROBLEMAS PODEM ME IMPEDIR DE DORMIR, MAS NADA VAI ME IMPEDIR DE SONHAR” (Slim Rimografia)
Epifania- SLIM RIMOGRAFIA E THIAGO BEATS
 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

ME, ARRANJA UM ARRANJO



Vizinho, me arranja um arranjo bonito
Pra por o Girassol que comprei pra minha amada
Vizinho, você manja e eu manjo o grito
Da flor silenciosa, que em meu peito ainda fazes morada...


No jardim da saudade colho tristeza
Nas pétalas ao vento tento encontrar a pureza
Terra, adubo e perfume se perderam no ar
Hoje rego as raízes do passado com lágrimas
O que me resta é cantar


Vizinho, me arranja um arranjo bonito
Pra por o Girassol que comprei pra minha amada
Vizinho, você manja e eu manjo o grito
Da flor silenciosa, que em meu peito ainda fazes morada...


A flor se desmanchou na minha frente
Foi se recompor em outro ambiente
Bateu o sol, ela aflorou e outros ares foi perfumar
Vizinho, me arranja um arranjo bonito
Pois se houver outra semente, quero bem dela cuidar


Vizinho, me arranja um arranjo bonito
Pra por o Girassol que comprei pra minha amada
Vizinho, você manja e eu manjo o grito
Da flor silenciosa, que em meu peito ainda fazes morada...


Chellmí - 07.11.2012
No meio da guerra.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

SAMBA RAP SOLIDÁRIO - 26.10.2012 - Z/S

Salve jovens, beleza?
Tive a honra de ser convidados para cantar alguns sambas lá na Zona Sul no BAR DO BONÉ, a causa é nobre. Arrecadação de alimentos.
Convido tod@s para partilharem conosco e vamos que vamos que a caminhada é longa.
O Bar do Boné fica na R. Nossa Senhora da Saúde, 1007 – Vila das Mercês (no metrô Vila Mariana você pode pegar o ônibus Jardim Clímax e descer no segundo ponto da Av. Nossa Senhora das Mercês, a rua estará bem próxima)


terça-feira, 2 de outubro de 2012

CANALHAS



Tacaram fogo na favela
Queimaram tudo até o fim
Alegaram que a causa era gato ou vela
Os canalhas exterminam assim
Os canalhas exterminam assim...

Que canalhas mais podres  tremendos caras de pau
Pavios curtos da humanidade, só propiciam o mau
Real Parque queimou, Jd. Paraná inflamou
Moinho em dose dupla, a chama se alastrou

Tacaram fogo na favela
Queimaram tudo até o fim
Alegaram que a causa era gato ou vela
Os canalhas exterminam assim
Os canalhas exterminam assim...

As labaredas torraram os corações
Enquanto os canalhas sorriam em suas mansões
Muita fumaça e tristeza, cobriam a imensidão do céu
Mas, minha caneta joga água, pra apagar esse fogaréu

Tacaram fogo na favela
Queimaram tudo até o fim
Alegaram que a causa era gato ou vela
Os canalhas exterminam assim
Os canalhas exterminam assim...

Especulação imobiliária, pois a Copa vem chegando
Guerreiros sem um teto, o fogo vai aumentando
Canalhas prestem atenção, favela não é sujeira
Marionetes do Estado, mal sabem vocês
Que não passam de cinzas da própria fogueira

Tacaram fogo na favela
Queimaram tudo até o fim
Alegaram que a causa era gato ou vela
Os canalhas exterminam assim
Os canalhas exterminam assim...

Chellmí - Jovem Escritor Paulista - Setembro-2012
Com várias dores no coração...

terça-feira, 18 de setembro de 2012

VEREDAS DO VESTIBULAR - ESPAÇO CULTURAL ELO DA CORRENTE - PIRITUBA - 30.09.2012 - 10h.



O PROJETO VEREDAS DO VESTIBULAR TEVE INÍCIO EM 2011 NO CENTRO CULTURAL DA JUVENTUDE RUTH CARDOSO (CCJ), FRUTO DA VONTADE EM COMPARTILHAR COM O PÚBLICO QUE OBSERVÁVAMOS EM NOSSO LOCAL DE TRABALHO E CONVIVÊNCIA. AS EXPERIÊNCIAS QUE VIVEMOS EM RELAÇÃO AO ACESSO AO ENSINO SUPERIOR PÚBLICO.

NESTE SEGUNDO ANO DE ATUAÇÃO, O VEREDAS DO VESTIBULAR AMPLIOU SEU PÚBLICO E CAMINHA EM BUSCA DE NOVOS LOCAIS E VONTADES QUE POSSAM SER COMPARTILHADAS COM AS NOSSAS, NESTE DIÁLOGO NOSSA PROPOSTA É ESTIMULAR E APRESENTAR COMO É POSSÍVEL  INGRESSAR NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS.

Mais informações sobre o Espaço Cultural Elo da Corrente: http://elo-da-corrente.blogspot.com.br/p/espaco-cultural-elo-da-corrente.html

Como Chegar: http://elo-da-corrente.blogspot.com.br/p/como-chegar-no-sarau-elo-da-corrente.html

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

LITERATURA INDEPENDENTE: A PERIFERIA VISTA NA BOLINHA DO OLHO - 15.09.2012 - 18h. CCJ RUTH CARDOSO.

No mês da cultura independente no CCJ Ruth Cardoso, a criação literária das bordas paulistana (Periferias) não podia deixar de ser ressaltada. A proposta é fazer um grande Sarau com poetas, coletivos e público interessado, em que músicas, poesias, contos e demais maneiras de escrita sejam partilhadas e contempladas pelos frequentadores da biblioteca e do Centro Cultural. Nesta ocasião os escritores ou coletivos que já tiverem suas publicações estarão disponibilizando-as para venda no local no dia do evento, com preços populares. Será de suma importância a aproximação do público com estas obras, pois a distribuição também é feita de forma independente e muitas vezes é difícil o escritor estar em diversos espaços com suas obras, ou seja, será um sarau envolto numa espécie de feira de livros.

Teremos também a magia da poesia exposta em forma de bonecas, bonecas pretas confeccionadas a partir de uma proposta pedagógica por Lúcia Makena, nos saraus que ocorrem nas periferias sempre que possível ela está presente inspirando os escritores e frequentadores com sua arte, que dialoga e muito com estes espaços.

A literatura não tem uma serventia prática, mas tem um papel fundamental no despertar do imaginário, o ser humano necessita desta imaginação para que suas práticas não sejam automatizadas pelas tarefas diárias, assim sendo, a literatura seja ela criada na periferia ou no centro, em qualquer parte do planeta transporta inexplicavelmente os indivíduos para mundos jamais pensados, e a ideia é que neste encontro mesmo que momentaneamente as pessoas tenham contato com esta literatura que está sendo criada de maneira independente.

É na bolinha do olho, bem lá no fundinho que algumas vezes desvendamos alguns segredos e sensações, o olhar aguçado bem lá neste fundinho pode levar o público a refletir sobre o que é que está sendo criado de maneira independente nas periferias paulistana, primordialmente no que diz respeito à literatura.

                                                                                                       MICHELL DA SILVA - CHELLMÍ

NÃO DEU PARA SAIR OS NOMES DE TOD@S PARTICIPANTES NA DIVULGAÇÃO, ENTÃO AQUI VÃO MAIS ESCRITORES E COLETIVOS QUE CONFIRMARAM PRESENÇA.
SARAU DA BRASA (Brasilândia)
SARAU ELO DA CORRENTE (Pirituba)
LITERATURA SUBURBANA (Brasilândia)
LUCIANE MATOS (QUILOMBRASA) (Brasilândia)
RENATA PRADO (MARGINALIARIA) (Itaim Paulista)
ZoioOmc (Brasilândia)
FANTI MANO HUMILDE (Heliópolis)
POETA FUZZIL (Capão Redondo)
VIRBEL PROENÇA JUNIOR (Jardim Pantanal)
SARAU DA OCUPA (Centro)
WALNER DANZIGER (Jabaquara)
CLÁUDIO KAKIS (Suzano)
SARAU PERIFATIVIDADE (Fundão do Ipiranga)
LUAN LUANDO (Campo Limpo)
COLETIVO CULTURAL ESPERANÇA GARCIA (Brasilândia-Pirituba)
LUCIA MAKENA (Osasco)
CAROLZINHA TEIXEIRA (Vila Gomes)
MICHEL CENA7 (São Bernardo)
FLÁVIO CASIMIRO (Jd. Pery)
MC TREXX (Jd. Pery)
HUGO PAZ (Butantã)
THAIGO GONZALEZ (Santana)
ÂNGELA CASTELO BRANCO (Pompéia)
RODRIGO DOMÊNICO - DODO (Bairro do Limão)
DANILO MALABRITO (Freguesia do Ó)
KAREN REGO (Cachoeirinha)
OS REGICIDAS (Brasilândia - Capão Redondo)
RAS CHRISTOPHER (DE LIMA) (Pirituba)
CONTEÚDO MAJESTOSO (Brasilândia)
B.BOY´S TKG - THE KING (Cachoeirinha)
CELINHA REIS (Pompéia) 
SIMONE FREIRE (Cidade Tiradentes) 
LU'Z RIBEIRO (Guarapiranga)
e quem mais aparecer...

JOVENS, QUEM QUISER VENDER OS LIVROS NO DIA FIQUEM A VONTADE, SÓ ME AVISEM COM ANTECEDÊNCIA PARA EU PODER ORGANIZAR MELHOR.
contato: chellmisp@hotmail.com

COMO CHEGAR:
Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso – São Paulo/SP
Av. Deputado Emílio Carlos, 3.641. Vila Nova Cachoeirinha. Zona Norte.
(ao lado do terminal Cachoeirinha)


domingo, 12 de agosto de 2012

SEMINÁRIO - ARTE: ONDE? COMO? QUANDO? (17.08.2012 -19h.)




Gostaríamos de convidá-los para participarem do Seminário "Onde está a arte?" que acontecerá no Instituto Tomie Ohtake dia 17 de agosto, sexta-feira, a partir das 19h.

A proposta é discutir sobre a arte e juventude, a produção cultural do jovem, políticas públicas, o acesso à cultura e o que tem sido feito nas periferias, centros e instituições públicas e privadas. Convidamos jovens que atuam em Saraus, em Coletivos de Arte e que estão com a vida implicada na arte para conversar conosco.
 
Seira muito bom ter a participação de vocês para fortalecer esta conversa e, quem sabe, juntos, criarmos novas formas de estar e ocupar os espaços da nossa cidade! 

As inscrições devem ser feitas pelo email:  setoreducativo@institutotomieohtake.org.br, com Lilian. 
Temos 30 vagas.
 
A mediação será da Bruna Mantese (graduada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo(2002) e mestrado em Ciência Social (Antropologia Social) pela Universidade de São Paulo(2006) . Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia Urbana. Atuando principalmente nos seguintes temas: Metrópole, Juventude, Identidade, Sociabilidade. 
 
Faremos grupos de discussões com os convidados:Michell da Silva - Chellmí (Sarau da Brasa e Fábricas de Cultura), Jardélio Santos (Fábricas de Cultura e Instituto Tomie Ohtake), Bárbara Batista (Centro Cultural da Juventude), Amanda Prado (Centro Cultural da Juventude), Carolzinha (educadora e artista plástica), Mauricio Silva (MAE-USP e Fundação Bienal de São Paulo), Magno Rodrigues (educador).
 
Este debate foi proposto pela Ação Educativa do Instituto Tomie Ohtake e elaborado por Ângela Castelo Branco, Mariana Galender, Joana Zatz Muzzi  e Felipe Ferraro, (integrantes do Programa Jovem Monitor, parceria entre o Centro Cultural da Juventude e o Instituto Tomie Ohtake).
 
Contamos com a participação de vocês,

Núcleo de formação de jovens e crianças do Instituto Tomie Ohtake.