terça-feira, 25 de março de 2014

AOS FARDADOS



É o soco no peito
É o tapa na cara
Cadê o respeito
A PM não pára

Da Brasa ao Capão
Escroto ranzinza
Todo mundo é lixão
Pros vermes de cinza

De cano ou canhão
O diabo e o capeta
Sirene do cão
Começa a treta

Mães chorando
Irmãos se vingando
Fardados gozando
Corpos sangrando

Periferia e centro
Fogo ardente
O Estado aqui dentro
Não é inocente

Extermínio e miséria
Sangue e ódio
Encerram a matéria
E sobem no pódio

A vida escorre
Eu não pago de cego
Mó corre-corre
Eles sentam o prego

A elite gargalha
A quebrada tem medo
Eu não jogo a toalha
Eu não sou seu brinquedo

Viatura apagada
Crocodilagem a vista
Só emboscada
Da policia racista

Jovem e criança
Adulto e velhinho
Não há esperança
Eles não são o caminho

Na minha mente maluca
Certa ou errada
Educação é a bazuca
E a Cultura a granada

O combate existe
E eles tentam velar
A favela resiste
Enquanto só pensam em matar

A espada e o corte
Decepam sorrisos
Vivem pela morte
Os sujeitos são lisos

Vou nessa Estado
Aqui é o inferno
Posso ser metralhado
Mas, meu verso é eterno.

Chellmí – Jovem Escritor Paulista
23.03.2014 

O Detergente e o Alargador


Este é um texto meu que saiu na Revista Súbito 

O Detergente e o Alargador

Numa região pobre e desconhecida, de uma cidade pobre e desconhecida em que moravam pessoas ricas e desconhecidas, havia dois seres que se destacavam, o Detergente e o Alargador.
Detergente tinha destaque por não se misturar com os pobres da cidade pobre e desconhecida, apesar de ser pobre e desconhecido, mas não totalmente desconhecido, pois era admirado por alguns pobres e desconhecidos e por alguns ricos conhecidos, pelo seu jeito liso, escorregadio e por teoricamente acabar com a sujeira da cidade desconhecida.
Alargador se destacava por ser uma representação nata da região pobre e desconhecida e por se misturar e muito com as pessoas ricas e desconhecidas que ali habitavam. Seus trajes, seu jeito de andar, os livros que lia, as músicas que gostava também chamavam atenção e cada vez mais se destacava por isso.
Enquanto Detergente se preocupava em limpar as ditas impurezas da região pobre e desconhecida ferozmente, Alargador rumava arduamente para tentar diminuir alguns buracos que ficavam e insistiam em ficar no pé do ouvido de algumas pessoas que não tinham o mesmo destaque que o seu.
Detergente não tinha vida fácil isso temos que frisar é comandado por mãos que pensam ter poder absoluto e ainda se esforça para exterminar o que chamam de sujeira, com seus comparsas, Bom-Bril e Bucha.
Se a vida de Detergente não era fácil imaginem a vida de Alargador, sujeito que nasceu com vários centímetros em curto período habitado nesta Terra, vivendo ao pé do ouvido dos seus pares, resgando e machucando a carne dos mesmos, sem querer que o sangue continue escorrendo naquela região pobre e desconhecida, da cidade pobre e desconhecida.
Certo dia as mãos dos ditos detentores do poder da região desconhecida, da cidade desconhecida, apontaram para Detergente e deram-lhe a ordem para que a limpeza fosse mais intensa e eficaz. Era a brecha que Detergente esperava muito tempo, para se sentir poderoso também.
Enquanto isso, Alargador continuava na batalha diária para que o sangue parasse de escorrer na região desconhecida, da cidade desconhecida, ocupando espaços públicos e privados os quais não publicavam e também não conseguiam privar seus feitos e esforços.
Detergente que era vermelho de raiva passou a ficar roxo de ódio na captura de Alargador, depois de saber da representatividade do mesmo na região pobre e desconhecida, na cidade pobre e desconhecida.
Detergente limpou várias vidas que julgava serem sujas e sujou várias vidas de ricos desconhecidos da cidade desconhecida até se deparar com Alargador, tudo para demonstrar que era parte do poder.
Alargador ao se deparar com Detergente fez uma breve reflexão.
- É agora que esse sujeito liso e escroto vai me sujar!
Sem que Detergente tivesse tempo de reação, Alargador o encarou e disse:
- Rato sujo, pau mandado, marionete de mãos covardes, você pode me sujar pensando que está fazendo a limpa, sei o que tu queres, vem, tente a sorte!
Detergente ficou mais roxo do que estava e numa estratégia calculada contou com Bom-Bril e com o Bucha, que sufocaram o Alargador.
Naquela noite escura da região pobre e desconhecida, da cidade pobre e desconhecida, o sangue desceu levemente pela Viela do Abandono Brutal, nº Zero, lentamente.
Enquanto o Bom-Bril equivocado acompanhado do Bucha traiçoeiro derem corda às ordens das mãos covardes para DETER GENTE a DOR continuará sendo ALARGADA na região pobre desconhecida, da cidade pobre e desconhecida.

Chellmí – Jovem Escritor Paulista
10.08.2013

https://www.facebook.com/pages/Coletivo-Súbito/516606465122235

SONHOU SEUS SONHOS


Nas profundezas da tristeza ele navegou
Nos ares da infelicidade foi obrigado a planar
O ferimento do seu coração nunca cicatrizou
Escondeu-se do mundo e poucos viram sua lágrima rolar

Água bateu na bunda ele aprendeu a nadar
Sua fraqueza alada danou-se a voar
Aprendeu detectar mentiras, um potente radar
Enterrou-se vivo para sua poesia se sufocar

Subiu em árvores para fugir do concreto
Desceu morros e encontrou-se com malandros
Engoliu o choro e aprendeu ser discreto
Descartou os curvas de rio e aloprou os meandros

Deixou de ser espada e se tornou escudo
Preferiu continuar “burro” que bancar o intelectual
Grita quando acorda, grita quando dorme e continua mudo
Tornou-se boxeador que só acerta gancho sentimental

Pisa em nuvens e ovos com a mesma cautela
Tornou-se rabugento e nem sempre é risonho
Articula magia entre os becos e vielas da favela
Por mais que você não entenda... Ele sonhou o seu sonho.

Chellmí – Jovem Escritor Paulista
27.02.2014

EU GOSTARIA...


Eu gostaria que meu silêncio continuasse gritando
Que minha voz nem fosse ouvida
Eu gostaria de esquecer o passado
Não me matar no presente pensando no futuro
Eu gostaria que tantas outras coisas fossem diferentes
Porém, a cada dia que dorme
Observo acordado que a vida 
A vida, é demais para meus gostos inúteis
Mesmo assim, não irei ligar o botão do foda-se
E fingir não saber como desligá-lo
Quebrei minha alavanca de pensar
E estourei os interruptores propositalmente
Meu estado é de alerta...

Chellmì - JEP.
10.01.2014