sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
Trajetória: Os meus, os seus, os nossos potes
Trajetória:
Os meus, os seus, os nossos potes
-
Michell da Silva – Chellmí (Jovem Escritor Paulista)
No
universo da rapidez, da estupidez, da utópica sensatez, dos que enterram
pensamentos leves por não aguçarem alguns sopros de timidez, da imposta
rigidez, talvez haja espaço para as histórias escorrerem sem frustrantes
preocupações em serem taxadas como mera insensatez.
Pensemos
que quando dormimos estamos esvaziando um pote, pote este que pode estar
aberto, fechado, transbordando, pela metade, rachado, trincado, porém nunca sem
nada, mesmo estando vazio, nunca está sem nada.
Pensemos
também que quando acordamos nos deparamos com um pote vazio e que se nos
permitirmos observá-lo, ganharemos algum tempo matutando como iremos carregá-lo
e se o encheremos com algumas histórias, algumas palavras, alguns sons, alguns
silêncios ou com outros vazios.
Que
pote é este? Alguém pode carregá-lo? Qual o tamanho deste pote? É um pote
específico ou um pote qualquer? Este pote é comprado? Este pote é ganho? Este
pote é conquistado? O que carregamos em nossos potes? O que não carregamos e
gostaríamos de carregar em nossos potes? O que você guarda no pote, mas não
queria guardar? Por acaso, que pote você nunca se preocupou em carregar?
Ao
nos encontrarmos com vidas que chegam cheias, vidas que chegam vazias, vidas
que chegam aos cacos, vidas que estão chegando, vidas que irão chegar, pensamos,
caímos ou nos levantamos em pensamentos sobre os potes que carregamos.
Há
um grande esforço por parte de algumas pessoas em encher o pote de quem já está
com o mesmo transbordando. Como assim? Sim, há uma força que direciona o
enchimento destes potes sem imaginar ou sem se atentar se estes potes um dia já
foram cheios, se um dia eles foram esvaziados, se um dia sequer existiram, por
isso chamamos de força e não de energia.
Carlo
Guinzburg, um historiador italiano, debruçou-se ao tentar entender um ser não
tão comum à época em que viveu o personagem central de seu livro “O queijo e os
vermes”, um moleiro chamado Menocchio, que caiu nas forças da inquisição.
Menocchio
era um camponês de pote cheio, aprendeu ler bem e escrever razoavelmente, vivia
na contramão de sua época, a mão era o pote oco para que opressores os
deixassem maciço aos seus modos.
“Até que ponto podemos considerar
representativa uma figura tão pouco comum, um moleiro do século XVI que sabia
ler e escrever? E, além disso, representativa do quê? Com certeza, não de um
veio de cultura camponesa, já que o próprio Menocchio apontava uma série de
livros como fonte de suas ideias.” (GUINZBURG, 2006, p.72).*
As
veredas que poderiam ser adentradas por inúmeras pessoas, que poderiam levar
para mundos repletos de potes, das mais variadas histórias e memórias, muitas
vezes não são apresentadas por conta de alguns seres pensarem que somente eles
são capazes de cuidar de potes e não quebrá-los.
Estes
potes não possuem tamanho específico, não possuem ou não deveriam possuir
únicos donos, ou seja, os potes são de tamanhos ou deveriam ser de tamanhos que
cada pessoa quisesse ou entendesse que fosse.
Este
ser que vos escreve carrega potes que nunca imaginou carregar. A maioria destes
potes estão rachados, estão frágeis e qualquer descuido eles podem se quebrar,
porém alguns estão cheios de histórias e bem reforçados para não quebrarem tão
brevemente, e mais, existem alguns que são carregados mesmo sem serem
identificados prontamente.
Quando
há intenções diretas de se quebrar potes pelo simples prazer de estilhaçar
memórias ou apreciar cacos de reflexões jogados ao chão para que seus potes não
ocupem os mesmos espaços que outros, não há mais lugar para as expressões e
somente para as pressões, isto é, o que era para ser (ex)pressão continua numa
engrenagem de pressão constante.
Os
potes mais sensíveis quando ficam ao cuidado de seres insensíveis chegam a
mudar de cor por conta da apropriação forçada, vejam bem, se modificam por
intermédio de dominadores que impõem linguagens não assimiladas ou não
pertencentes a tais potes
* GUINZBURG,
Carlo. O queijo e os vermes: O cotidiano e as ideias de um moleiro perseguido
pela inquisição. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
“A
escrita, exigindo aprendizagem formal e transmissão social marcada, sofreu um
processo de apropriação social por certas camadas da população que nela foram
imprimindo seus modos de apreciação do mundo, seus modos de falar, suas palavras
– no sentido de lógos – de modo que qualquer outra escrita que não se conforme
ao discurso proferido pelas camadas que se apropriaram de um artefato
coletivamente construído é considerada não escrita, quando na verdade o que se
está excluindo são os discursos proferidos e seus sujeitos sociais.” (GERALDI,
2000, p.105).**
Existem
potes que duram por meses, anos e até séculos, existem potes que duram minutos,
horas e até segundos, existem seres que se consideram transformadores que fazem
potes durarem por meses, anos e até séculos, assim como existem seres que fazem
potes durarem por apenas horas ou minutos, isso quando não dão nem chance do
pote ser explorado positivamente, para que seja observe se o mesmo está vazio,
cheio, rachado ou em todos estes processos.
As
trajetórias dos potes dependem e muito da trajetória dos seres que desejam
quebrá-los ou cuidá-los. Os potes em princípio podem possuir tamanhos,
espessuras, larguras e também comprimentos, talvez um dos maiores desafios para
aqueles que se dispõem em tocar estes potes seja as estratégias que devem ser
pensadas para que estes potes não se encham ou não se esvaziem por motivos
opressores que tenham seu início e seu fim em apenas inícios e não sejam
considerados seus meios e seus fins.
E
seu pote, continua intacto?
GERALDI, João
Wanderley. Culturas orais em sociedades letradas. Educação & Sociedade,
Campinas, v. 21, n. 73, p.100-108, 01 dez. 2000.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
ALGUNS SOPROS DE UM VELHINHO DESORGANIZADO QUE JAMAIS TEVE A PRETENSÃO DE SE “REORGANIZAR”.
ALGUNS SOPROS DE UM VELHINHO
DESORGANIZADO QUE JAMAIS TEVE A PRETENSÃO DE SE “REORGANIZAR”.
Chellmí – Jovem Escritor Paulista –
01.12.2015
Em um dia de desespero assim como
outros tantos de sua existência, o velhinho teimou novamente em sentar em
frente ao espelho e refletir sobre sua desorganização.
O velhinho de aparência robusta e
feição rabugenta, muito raramente sorria, seus momentos de suposta alegria
estavam geralmente atrelados a cachaça ou a cerveja.
Ele costumava dizer para meia-dúzia
de pessoas próximas que já não conseguia se encontrar consigo mesmo e que além
de se sentir um anônimo em seu próprio eu, ele não suportava mais conviver
consigo nem sequer mais um segundo.
Seus dias eram longos demais. O
velhinho não dormia nem mesmo o mínimo necessário para aguentar o tranco do
trabalho no dia seguinte. O velhinho tinha convicção de seu estranhamento
consigo e com o mundo, estava ciente das suas limitações, mas mesmo assim
teimava em se confrontar com seu espelho.
O velhinho contava em seus momentos
de despejo de mares salgados num corpo amontoado de terra, que pensou ter vivido
sua juventude plenamente. Naquela época, o velhinho dormia menos que os dias
atuais, suas bolinhas brilhantes demoravam a esconderem-se nas noites
ensolaradas, sim, isso mesmo, ele dizia que pensava estar vivo por conta de
suas noites ensolaradas.
O pequeno linha de frente destas
palavras talvez tenha pensado por algum momento que poderia ser intocável, ser
iluminado, ser um furacão, ser areia do fundo do mar, ser um sorriso aberto até
seus últimos dias nos terrenos que parte da humanidade julga conhecer, mas
hoje, velhinho, já não pensa como antes, se pensa, só consegue transpor
aproximadamente 5% do que lhe sangra, 1% do álcool que lhe faz ranger os dentes
e talvez, talvez os outros 94% numa escala inútil de 100% estejam escondidos
entre o amarelo de seus dedos e o acumulo de bitucas e cinzas amontoadas num
recipiente metálico.
Alguns chegavam a falar que o
velhinho se sacrificava em dormir em cama de pregos por opção, outros
costumavam bater em suas costas oferecendo colchões macios, já outros juravam
enxergar no velhinho uma espécie de vontade, uma espécie de sabedoria, uma
espécie vivacidade, enquanto outros sacavam que o velhinho não passava de fruta
podre na lateral da feira. O velhinho a todo instante torcia para ser ensacado
e triturado e então ser jogado num lugar em que ninguém mais pudesse pensar em
nada a seu respeito. Mesmo com toda a angústia de um segundo passado, de uma
flecha lançada e de uma oportunidade perdida, o infeliz do velhinho sentava-se
na frente do espelho.
Em seu tempo de fragilidade adulta
se meteu em lugares nunca antes imaginados. Entocou-se em bolhas coloridas viajando
num universo singular e construindo a imagem de guris e gurias em seus braços
lhe chamando de pai. No fundo ele carregava a frustração em peneira de buracos
milimétricos para que tal viagem pudesse ser um tipo de substância que lhe
deixava em estase por algum tempo dentro da bolha colorida. E a peneira lentamente
naqueles momentos derramava frustrantes águas salgadas novamente no corpo
amontoado de terra.
O velhinho fez questão de ocupar
quadrados incolores para flutuar em utópicas lutas aos olhos dos sábios
entendedores da vida. Seus ventos mudavam de direção nestes quadrados quando
ainda tinha o mínimo de coerência para jogar tinta onde estava incolor. Muitas
vezes o velhinho teve a necessidade de mostrar ao mundo aquele ambiente em
transformação, porém, foram incontáveis as vezes em que o velhinho teve vontade
de largar as cores para que os sábios entendedores da vida continuassem
propagando suas sabedorias em seus quadrados sem cor. O velhinho contava que a
cada minuto recebia uma martelada no peito e uma pancada na cabeça, um tipo
castigo dolorido que não sabia explicar, mas que alimentava sua utopia.
O velhinho de mãos de lisas escondia
os calos na alma e de vez em quando girava a chave.
Ele dizia que seu corpo era uma
linha amarrada no estirante de uma pipa mal confeccionada que em raros momentos
de ventania deixava de fazer barriga e se mantinha firme, reta e com uma força
incontrolável, mas que eram tão raros, tão raros estes momentos de ventania que
mal podia se deleitar do planar e logo se deparava com os apuros de uma pipa
pensa. Assim o velhinho se referia ao seu corpo, horas ação e horas reflexão.
Empinava sobre uma corda bamba, a laje era muito cheia de concreto. Firmeza
demais nunca lhe fez bem, dizia ele.
Na multidão erguia sua bandeira de
palavras, na conversa não tirava sua bandeira da mochila. Na conversa ele era
olho atento e ouvido aberto, na multidão era farelo do resto de lanche dos sábios
entendedores da vida.
O velhinho, cara de pão com ovo,
rabugento e de sorriso amarelo após alguns goles parecia ter um pouco de
criticidade, apesar de enfatizar a todo o momento que não passava de macha
irremovível de avental surrado.
Em meio a tantas palavras de
amargura e angústia, o velhinho se posicionava contra qualquer tipo de
injustiça feita com o povo que lhe circundava, o povo que corria em suas veias
saltitantes. Policiais que atuam como marionetes da opressão, fazendo dos seus
pares seus principais alvos, professores pelegos, governantes detentores de
poderes odiosos, seres individualistas que propagam a distorção do coletivo. O
velhinho não suportava. Ele fazia
questão de se desprender do anonimato do seu eu, para concentrar em seus frágeis
punhos e esqueleto que se arrastava, energias que só poderiam existir no ato do
corpo estar em sintonia com o palpitar do coração, que nem ele com toda sua
ignorância e nem os sábios entendedores do conhecimento da vida poderiam se
meter a besta de procurar explicações.
Na capital em que o sangue escorre
desde o nascimento até o dia em que a terra cobre o paletó de madeira, o
velhinho de feição pesada, desacreditado de quase tudo em sua passagem neste
terreno, contava que em seu pequeno coração nunca conseguiu, por mais que
tentasse, colocar um cadeado, girar a chave e lança-la num universo de chaves
perdidas.
Aos sábios entendedores de suas
próprias vidas e das vidas alheias, aos ignorantes rabugentos como o velhinho e
aos que são bigornas e se passam por pena de pavão, fica o desafio de arriscar
a idade do velhinho, se ele está vivo, se ele realmente existiu ou existe e se
podem recolher os cacos do espelho em que o velhinho teimava em se deparar ou
sentar diante do mesmo espelho e procurar a porcentagem de teimosia que pode
existir em cada ser.
Antes de partir, o velhinho pediu
para avisar que se as línguas dos sábios entendedores da vida estiverem
queimando para responder prontamente, que os mesmos as colocassem na água
estocada da chuva, ou fizessem uma vaquinha entre eles para comprarem litros
d’água de alguma empresa da família dos governantes detentores de poderes
odiosos.
Sábios? Velhinho? Bigorna? Pena de
pavão?
Por onde andam?
terça-feira, 4 de agosto de 2015
UM SAMBA CESSADO

O samba que cantei
Não ecoou na avenida
Não fez sussurro nos blocos
Porém, mudou minha vida
No início do desfile tiraram a baqueta de mim
E o que eu podia fazer, sem tocar meu tamborim?
Passei madrugadas em pranto para escrever o meu samba
Naquele momento me senti, como entulho na caçamba
O coração bateu desconpassado, a alegria se foi
Minha harmonia então murchou,
Ninguém me deu boi
O samba que cantei
Não ecoou na avenida
Não fez sussurro nos blocos
Porém, mudou minha vida
Minha vida mudou quando fui deixado de canto
Daí pra frente a solidão virou camisa,
Que hoje visto como um manto
Carrego um lápis e um papel e sigo rascunhando sozinho
Vivo atordoado e sem rumo, já não encontro mais um caminho
Desejo que o mundo que roda um dia eu conheça
Enquanto isso meu samba encanta, somente dentro da minha cabeça...
O samba que cantei
Não ecoou na avenida
Não fez sussurro nos blocos
Porém, mudou minha vida
O POETA E SUA GRANADA

O poeta de leveza nos olhos
Carrega o peso da luta
Desnecessariamente se expõe
E necessariamente ocupa
Ocupa muros, corações e mentes
Ocupa, ocupa o que não pode ser desocupado
Entre sorrisos, abraços e dedos do meio
O poeta é a esquiva do vento torto
Rasteiras, voadoras, tiros, caras feias
Nada disso detém o poeta
Varre rua e escreve na guia
Dorme na sarjeta e rabisca a calçada
Pinta as nuvens e picha no céu
Conta anedota nada hilária
Melhor, ele é a anedota hilária dos insensíveis
Eita poeta zika
Tirou nicotina do beiço
Meteu a faca no que parecia ser duradouro
Dedilhou violões inexistentes
Tomou cachaça pra esquecer
E escreve pra não morrer
Vive com a granada na mão
Prestes a puxar o pino
Enquanto a disposição não vem
Estoura palavra na guerra
Se refugia na trincheira do pensamento
Rabisca versos-escudos para artistas exuberantes
E finge parecer são, por ser tão louco
Este poeta...
Este poeta, vive para incomodar as verdades blindadas.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
A LEVEZA DOS ANOS

Aos 5 conviveu com o pai deficiente na cama
Aos 6 sonhou ser jogador de futebol
Aos 7 repetiu a primeira série
Aos 8 começou a brigar na rua
Aos 9 tomou seu primeiro porre
Aos 10 já não prestava atenção na aula
Aos 11 começou questionar os pais
Aos 12 não suportou a separação dos pais
Aos 13 começou a "pixar"
Aos 14 começou a sacar a humilhação
Aos 15 tomou um cassete da rota
Aos 16 começou ser mão de obra explorada
Aos 17 começou a grafitar
Aos 18 pensou conhecer o amor
Aos 19 tentou entrar na universidade
Aos 20 continuou sendo explorado
Aos 21 ainda não sabia nada
Aos 22 prestou Unesp
Aos 23 passou na Unesp e fracassou
Aos 24 renasce a escrita morta
Aos 25 desemprego e bicos
Aos 26 mãos calejadas para construir a goma
Aos 27 entrou na Usp
Aos 28 pesou 48kg
Aos 29 quebra um teco da casca do coração
Aos 30 parecia ter reavivado sonhos
Aos 31 se sente um copo descartável
Aos 31 vê Dener e/ou Catarina só em lágrimas
Aos 31 o coração sangra
Aos 31 só gostaria que fosse 31
Aos 31 ainda arranca sorrisos dos filhos de amigos
Aos 31 não carrega certezas
Aos 31 só pensa na hora da última dormida
Aos 31 cansado de sobreviver não sabe viver
Aos 31 "aquele abraço..."
Aos 6 sonhou ser jogador de futebol
Aos 7 repetiu a primeira série
Aos 8 começou a brigar na rua
Aos 9 tomou seu primeiro porre
Aos 10 já não prestava atenção na aula
Aos 11 começou questionar os pais
Aos 12 não suportou a separação dos pais
Aos 13 começou a "pixar"
Aos 14 começou a sacar a humilhação
Aos 15 tomou um cassete da rota
Aos 16 começou ser mão de obra explorada
Aos 17 começou a grafitar
Aos 18 pensou conhecer o amor
Aos 19 tentou entrar na universidade
Aos 20 continuou sendo explorado
Aos 21 ainda não sabia nada
Aos 22 prestou Unesp
Aos 23 passou na Unesp e fracassou
Aos 24 renasce a escrita morta
Aos 25 desemprego e bicos
Aos 26 mãos calejadas para construir a goma
Aos 27 entrou na Usp
Aos 28 pesou 48kg
Aos 29 quebra um teco da casca do coração
Aos 30 parecia ter reavivado sonhos
Aos 31 se sente um copo descartável
Aos 31 vê Dener e/ou Catarina só em lágrimas
Aos 31 o coração sangra
Aos 31 só gostaria que fosse 31
Aos 31 ainda arranca sorrisos dos filhos de amigos
Aos 31 não carrega certezas
Aos 31 só pensa na hora da última dormida
Aos 31 cansado de sobreviver não sabe viver
Aos 31 "aquele abraço..."
segunda-feira, 27 de julho de 2015
PRENDEdor

PRENDEDOR
PRENDEDOR
PRENDEDOR
PRENDEDOR
PRENDEDOR
PRENDEDOR...
PRENDE a DOR no coração até suportar
Solte a refém
E no dia em que a dor não for mais dor
Me conte sobre tal experiência
Quem saiba assim eu deixe de ser
Um reles PRENDEdor.
PRENDEDOR
PRENDEDOR
PRENDEDOR
PRENDEDOR
PRENDEDOR...
PRENDE a DOR no coração até suportar
Solte a refém
E no dia em que a dor não for mais dor
Me conte sobre tal experiência
Quem saiba assim eu deixe de ser
Um reles PRENDEdor.
M A R G I N A L

Na margem Cinquenta não é onça, é galo !
Na margem Sessenta, sessenta, cê senta...
e espera o Estado te respeitar e vira caveira.
Na margem Setenta, setenta, cê tenta...
não apanhar o fuzil e guerrilhar mostrando como se faz.
Na margem tem aquele que EXPRESSA de maneira coerciva o LOCAL que considera ser seu por destino, se julgando o CENTRO da ervilha chamada mundo.
Na margem não tem prédio espelhado e ar condicionado pra tentar apagar a vista e o odor de rio de merda.
Na margem o farol alto está aceso desde as 4 da matina e muitas vezes as setas para trocar de faixa são acionadas pelo capital que torna o esqueleto nojento.
Na margem, Cinquenta, Sessenta, Setenta, Oitenta, Noventa, Noventa, Noventa...
Cem !
Sem, sem, sem esquecer que o combustível da margem um dia será utilizado na e para a margem...
sendo assim, reclame mesmo de tanque cheio enquanto pode ou acha que pode. Vai, vai, vai, bufe alto.
E por aqui esse condutor bração continua reduzindo a velocidade e seguindo na moral...
Sim, enquanto uns querem luxo o bração faz questão de se firmar M A R G I N A L.
Na margem Sessenta, sessenta, cê senta...
e espera o Estado te respeitar e vira caveira.
Na margem Setenta, setenta, cê tenta...
não apanhar o fuzil e guerrilhar mostrando como se faz.
Na margem tem aquele que EXPRESSA de maneira coerciva o LOCAL que considera ser seu por destino, se julgando o CENTRO da ervilha chamada mundo.
Na margem não tem prédio espelhado e ar condicionado pra tentar apagar a vista e o odor de rio de merda.
Na margem o farol alto está aceso desde as 4 da matina e muitas vezes as setas para trocar de faixa são acionadas pelo capital que torna o esqueleto nojento.
Na margem, Cinquenta, Sessenta, Setenta, Oitenta, Noventa, Noventa, Noventa...
Cem !
Sem, sem, sem esquecer que o combustível da margem um dia será utilizado na e para a margem...
sendo assim, reclame mesmo de tanque cheio enquanto pode ou acha que pode. Vai, vai, vai, bufe alto.
E por aqui esse condutor bração continua reduzindo a velocidade e seguindo na moral...
Sim, enquanto uns querem luxo o bração faz questão de se firmar M A R G I N A L.
MADRUGADA

Minhas madrugadas sem sono
São como meus dias sonolentos.
Meus tempos não são iguais meus sonos
Sendo assim...
Acordei numa escuridão só para que
meus ponteiros girassem ao contrário
São como meus dias sonolentos.
Meus tempos não são iguais meus sonos
Sendo assim...
Acordei numa escuridão só para que
meus ponteiros girassem ao contrário
AS ESTRELAS, SEUS BRILHOS E MINHAS BRISAS

Os olhos procuram no céu estrelas cadentes
A brisa noturna arrepia a espinha
Avisto íris ofuscadas e corações carentes
Madrugada gelada que ali era só minha
Cada segundo eternizado num mundo calado
Solo árido num peito tão seco
Uma face alagada e um caderno encharcado
Borrou-se as palavras perdidas num beco
A lua não quis chamar atenção
As nuvens foram bailar
Os deuses dormiram no chão
E meus pensamentos... Aqueles não pude cessar
O reflexo nas águas não brilhava pra mim
O morro esverdeado eu pensei colorir
Levantei-me tão cinza em busca de um fim
E com olhares sangrando vi algo estranho se abrir
Eu, vagalume esticado depois da perca de luz
As ondas quebrando em meu corpo imobilizado
Ao longe um vendaval, que enfim me seduz
E um sopro no ouvido ecoando "mano, você é um zoado"
A tempestade fez o mar bravejar
O pulsar no tórax acelerou bruscamente
Um clarão no meu íntimo me forçou despertar
E até hoje não sei, se toquei numa estrela cadente ou numa estrela carente.
A brisa noturna arrepia a espinha
Avisto íris ofuscadas e corações carentes
Madrugada gelada que ali era só minha
Cada segundo eternizado num mundo calado
Solo árido num peito tão seco
Uma face alagada e um caderno encharcado
Borrou-se as palavras perdidas num beco
A lua não quis chamar atenção
As nuvens foram bailar
Os deuses dormiram no chão
E meus pensamentos... Aqueles não pude cessar
O reflexo nas águas não brilhava pra mim
O morro esverdeado eu pensei colorir
Levantei-me tão cinza em busca de um fim
E com olhares sangrando vi algo estranho se abrir
Eu, vagalume esticado depois da perca de luz
As ondas quebrando em meu corpo imobilizado
Ao longe um vendaval, que enfim me seduz
E um sopro no ouvido ecoando "mano, você é um zoado"
A tempestade fez o mar bravejar
O pulsar no tórax acelerou bruscamente
Um clarão no meu íntimo me forçou despertar
E até hoje não sei, se toquei numa estrela cadente ou numa estrela carente.
NÃO DESACREDITA NÃO...

Na brasa periférica sou maloqueiro nato
Calça larga, bombeta, nada de verso imediato
Poesia que surge da reflexão e do coração atento
Olhos esbugalhados que me tiram da condição de só lamento
Envolvimento em pensamentos chamados de dedo na ferida
Meus pares morrem, reaça aplaude e a vida prossegue sofrida
Me sensibilizo ao falar das flores e dos exalares de seus perfumes
Mas, num rio de sangue luto para que não continuem boiando nossos cardumes
Opressão policial, opressão do capital, opressão coletiva e individual
Aqui a ação do marginal, a ação da palavra frontal, é soco no peito do preconceituoso boçal
Não necessito de palco mas, se eu estiver nele, beleza !
Sou grato pelo chão, rimar na rua e tentar afastar um pouco a tristeza !
Não fui aprovado no padrão de qualidade do inmetro, tá ligado
Minhas poesias não precisam de rótulos para que eu seja um escritor aclamado
Sou a ralé da escrita, as águas nas guias da literatura
Meto-me a besta a escrever só para cutucar seu ego, chamado censura
Cansado de comentários raso vindos de onde o nariz aponta
Estes versos pretendem deixar pinóquios mais perdidos que barata tonta
Surfei nas ondas da ingratidão e desci as ladeiras do terror
Agora tento pegar rabeira no imaginário de quem me faz acreditar no amor
Educação tá na mente e no coração, grafada no braço se tornou meu escudo
O saber não compartilhado se mostra como livro na estante fechado e mudo
Mundão para gritar comigo toda hora e sussurra um pouco por favor
Já pedi isso antes e ai de mim se não me armasse e fosse pra batalha como um gladiador
Sou Sarau da Brasa, Elo da Corrente, Samba do Congo, sou Brasilândia
Troco olhares com nossa gente depois do dia longo e não sonho com diversão artificial de Disneylândia
Vou nessa dizendo que o tal do Michell pode ser pra você um ser que tanto fez ou tanto faz
Mas, ainda não sabe muito do que o tal do Chellmí é capaz.
Calça larga, bombeta, nada de verso imediato
Poesia que surge da reflexão e do coração atento
Olhos esbugalhados que me tiram da condição de só lamento
Envolvimento em pensamentos chamados de dedo na ferida
Meus pares morrem, reaça aplaude e a vida prossegue sofrida
Me sensibilizo ao falar das flores e dos exalares de seus perfumes
Mas, num rio de sangue luto para que não continuem boiando nossos cardumes
Opressão policial, opressão do capital, opressão coletiva e individual
Aqui a ação do marginal, a ação da palavra frontal, é soco no peito do preconceituoso boçal
Não necessito de palco mas, se eu estiver nele, beleza !
Sou grato pelo chão, rimar na rua e tentar afastar um pouco a tristeza !
Não fui aprovado no padrão de qualidade do inmetro, tá ligado
Minhas poesias não precisam de rótulos para que eu seja um escritor aclamado
Sou a ralé da escrita, as águas nas guias da literatura
Meto-me a besta a escrever só para cutucar seu ego, chamado censura
Cansado de comentários raso vindos de onde o nariz aponta
Estes versos pretendem deixar pinóquios mais perdidos que barata tonta
Surfei nas ondas da ingratidão e desci as ladeiras do terror
Agora tento pegar rabeira no imaginário de quem me faz acreditar no amor
Educação tá na mente e no coração, grafada no braço se tornou meu escudo
O saber não compartilhado se mostra como livro na estante fechado e mudo
Mundão para gritar comigo toda hora e sussurra um pouco por favor
Já pedi isso antes e ai de mim se não me armasse e fosse pra batalha como um gladiador
Sou Sarau da Brasa, Elo da Corrente, Samba do Congo, sou Brasilândia
Troco olhares com nossa gente depois do dia longo e não sonho com diversão artificial de Disneylândia
Vou nessa dizendo que o tal do Michell pode ser pra você um ser que tanto fez ou tanto faz
Mas, ainda não sabe muito do que o tal do Chellmí é capaz.
NÃO CUSTA NADA OU O NADA NÃO TEM CUSTO ?

Quiseram comprar minha identidade
Comprar minha andança
Comprar meu chinelo de dedo
Comprar o pouco que escrevo
Comprar meu raro sorriso
Comprar nossas ruas de terra
Comprar nossos dedilhados autodidatas
Comprar minha loucura
Comprar meus máximos 3% de doçura
Quiseram comprar meus olhares
Comprar o gingado do meu corpo
Comprar a tradução das nossas gírias
Comprar meus passos nos ares
Comprar meu rastejar em terra batida
Comprar o que pensei
Comprar o que nunca cantei
Comprar a vista grossa
Comprar a prazo de estupidez
Quiseram me colocar na vitrine
Comprar os cacos das palavras, fiado
Comprar um nada que não tem valor
Não tendo o que vender, não vendi
E neste exato momento...
Sou as moedinhas de troco de uma literatura de qualidade incalculável.
Comprar minha andança
Comprar meu chinelo de dedo
Comprar o pouco que escrevo
Comprar meu raro sorriso
Comprar nossas ruas de terra
Comprar nossos dedilhados autodidatas
Comprar minha loucura
Comprar meus máximos 3% de doçura
Quiseram comprar meus olhares
Comprar o gingado do meu corpo
Comprar a tradução das nossas gírias
Comprar meus passos nos ares
Comprar meu rastejar em terra batida
Comprar o que pensei
Comprar o que nunca cantei
Comprar a vista grossa
Comprar a prazo de estupidez
Quiseram me colocar na vitrine
Comprar os cacos das palavras, fiado
Comprar um nada que não tem valor
Não tendo o que vender, não vendi
E neste exato momento...
Sou as moedinhas de troco de uma literatura de qualidade incalculável.
"SOFRIMINTO?"

Se minto sobre a veracidade da violência
Transpondo feições de indignação
Meus punhos nas lutas por clemência
Ainda se fecham diante da militarização
Meu habitat periférico não me tira do centro
As poças de lama deram lugar às de sangue
Matam sonhos decepando cabeças aqui dentro
Os projéteis nas favelas não são de filmes de gague
O céu azul permanece nublado com o extermínio
Vielas com sirenes e corpos sem ar
Estraçalham humanos para manterem o domínio
Se estou mentindo, qual verdade irão me contar ?
Brasil de farda opressora
O galo nem canta mais na madrugada da quebrada
Calibres hostis maquiados de sensação protetora
Enquanto a lágrima escorre, a elite se agrada
Grande mídia podre e nojenta
Menos de 1% é leal
Quem não virou marionete não aguenta
Vocês não valem 1 real
Reduza a maioridade e se prepare para o tormento
Hecatombe dos nossos tira o sono
Quando o opressor cair não restará nem lamento
Xerox ou ampliação de vidas em papel carbono
Sofro e não minto nesta guerra evidente
Que me joguem na vala ou me deixem aos ventos
Acabaram com a vida duma criança inocente
Isso não é "sofriminto" nunca irão entender nosso reais sofrimentos.
Transpondo feições de indignação
Meus punhos nas lutas por clemência
Ainda se fecham diante da militarização
Meu habitat periférico não me tira do centro
As poças de lama deram lugar às de sangue
Matam sonhos decepando cabeças aqui dentro
Os projéteis nas favelas não são de filmes de gague
O céu azul permanece nublado com o extermínio
Vielas com sirenes e corpos sem ar
Estraçalham humanos para manterem o domínio
Se estou mentindo, qual verdade irão me contar ?
Brasil de farda opressora
O galo nem canta mais na madrugada da quebrada
Calibres hostis maquiados de sensação protetora
Enquanto a lágrima escorre, a elite se agrada
Grande mídia podre e nojenta
Menos de 1% é leal
Quem não virou marionete não aguenta
Vocês não valem 1 real
Reduza a maioridade e se prepare para o tormento
Hecatombe dos nossos tira o sono
Quando o opressor cair não restará nem lamento
Xerox ou ampliação de vidas em papel carbono
Sofro e não minto nesta guerra evidente
Que me joguem na vala ou me deixem aos ventos
Acabaram com a vida duma criança inocente
Isso não é "sofriminto" nunca irão entender nosso reais sofrimentos.
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