terça-feira, 8 de abril de 2014

ELE

Ele não foi pai
Ele não comprou carro
Ele não tem casa
Ele perdeu a moral
Ele murchou distante da flor
Ele conquistou uma tempestade própria
Ele virou água suja
Ele pensou ser alguém
Ele imaginava ser poeta
Ele almejou ser marido
Ele quis sambar sem ginga
Ele tentou cantar sem ritmo 
Ele tentou ler mundos
Ele quis escrever universos 
Ele correu pro nada
Ele caminhou na terra de concreto
Ele cuspiu fogo
Ele ingeriu sapos
Ele não digeriu nós
Ele distanciou-se dos prazeres 
Ele fugiu da paz
Ele fingiu ser feliz
Ele sequer viveu
Ele...
ELE pode ser um EU disfarçado de VOCÊ !

Chellmí -Jovem Escritor Paulista - 07.04.2014

domingo, 6 de abril de 2014

FALADOR !



FALADOR
FALADOR
FALADOR
FALADOR
FALADOR
FALADOR

FALA que uma hora a DOR passará.

(Chellmí - 03.04.2014).

terça-feira, 25 de março de 2014

O Detergente e o Alargador


Este é um texto meu que saiu na Revista Súbito 

O Detergente e o Alargador

Numa região pobre e desconhecida, de uma cidade pobre e desconhecida em que moravam pessoas ricas e desconhecidas, havia dois seres que se destacavam, o Detergente e o Alargador.
Detergente tinha destaque por não se misturar com os pobres da cidade pobre e desconhecida, apesar de ser pobre e desconhecido, mas não totalmente desconhecido, pois era admirado por alguns pobres e desconhecidos e por alguns ricos conhecidos, pelo seu jeito liso, escorregadio e por teoricamente acabar com a sujeira da cidade desconhecida.
Alargador se destacava por ser uma representação nata da região pobre e desconhecida e por se misturar e muito com as pessoas ricas e desconhecidas que ali habitavam. Seus trajes, seu jeito de andar, os livros que lia, as músicas que gostava também chamavam atenção e cada vez mais se destacava por isso.
Enquanto Detergente se preocupava em limpar as ditas impurezas da região pobre e desconhecida ferozmente, Alargador rumava arduamente para tentar diminuir alguns buracos que ficavam e insistiam em ficar no pé do ouvido de algumas pessoas que não tinham o mesmo destaque que o seu.
Detergente não tinha vida fácil isso temos que frisar é comandado por mãos que pensam ter poder absoluto e ainda se esforça para exterminar o que chamam de sujeira, com seus comparsas, Bom-Bril e Bucha.
Se a vida de Detergente não era fácil imaginem a vida de Alargador, sujeito que nasceu com vários centímetros em curto período habitado nesta Terra, vivendo ao pé do ouvido dos seus pares, resgando e machucando a carne dos mesmos, sem querer que o sangue continue escorrendo naquela região pobre e desconhecida, da cidade pobre e desconhecida.
Certo dia as mãos dos ditos detentores do poder da região desconhecida, da cidade desconhecida, apontaram para Detergente e deram-lhe a ordem para que a limpeza fosse mais intensa e eficaz. Era a brecha que Detergente esperava muito tempo, para se sentir poderoso também.
Enquanto isso, Alargador continuava na batalha diária para que o sangue parasse de escorrer na região desconhecida, da cidade desconhecida, ocupando espaços públicos e privados os quais não publicavam e também não conseguiam privar seus feitos e esforços.
Detergente que era vermelho de raiva passou a ficar roxo de ódio na captura de Alargador, depois de saber da representatividade do mesmo na região pobre e desconhecida, na cidade pobre e desconhecida.
Detergente limpou várias vidas que julgava serem sujas e sujou várias vidas de ricos desconhecidos da cidade desconhecida até se deparar com Alargador, tudo para demonstrar que era parte do poder.
Alargador ao se deparar com Detergente fez uma breve reflexão.
- É agora que esse sujeito liso e escroto vai me sujar!
Sem que Detergente tivesse tempo de reação, Alargador o encarou e disse:
- Rato sujo, pau mandado, marionete de mãos covardes, você pode me sujar pensando que está fazendo a limpa, sei o que tu queres, vem, tente a sorte!
Detergente ficou mais roxo do que estava e numa estratégia calculada contou com Bom-Bril e com o Bucha, que sufocaram o Alargador.
Naquela noite escura da região pobre e desconhecida, da cidade pobre e desconhecida, o sangue desceu levemente pela Viela do Abandono Brutal, nº Zero, lentamente.
Enquanto o Bom-Bril equivocado acompanhado do Bucha traiçoeiro derem corda às ordens das mãos covardes para DETER GENTE a DOR continuará sendo ALARGADA na região pobre desconhecida, da cidade pobre e desconhecida.

Chellmí – Jovem Escritor Paulista
10.08.2013

https://www.facebook.com/pages/Coletivo-Súbito/516606465122235

SONHOU SEUS SONHOS


Nas profundezas da tristeza ele navegou
Nos ares da infelicidade foi obrigado a planar
O ferimento do seu coração nunca cicatrizou
Escondeu-se do mundo e poucos viram sua lágrima rolar

Água bateu na bunda ele aprendeu a nadar
Sua fraqueza alada danou-se a voar
Aprendeu detectar mentiras, um potente radar
Enterrou-se vivo para sua poesia se sufocar

Subiu em árvores para fugir do concreto
Desceu morros e encontrou-se com malandros
Engoliu o choro e aprendeu ser discreto
Descartou os curvas de rio e aloprou os meandros

Deixou de ser espada e se tornou escudo
Preferiu continuar “burro” que bancar o intelectual
Grita quando acorda, grita quando dorme e continua mudo
Tornou-se boxeador que só acerta gancho sentimental

Pisa em nuvens e ovos com a mesma cautela
Tornou-se rabugento e nem sempre é risonho
Articula magia entre os becos e vielas da favela
Por mais que você não entenda... Ele sonhou o seu sonho.

Chellmí – Jovem Escritor Paulista
27.02.2014

EU GOSTARIA...


Eu gostaria que meu silêncio continuasse gritando
Que minha voz nem fosse ouvida
Eu gostaria de esquecer o passado
Não me matar no presente pensando no futuro
Eu gostaria que tantas outras coisas fossem diferentes
Porém, a cada dia que dorme
Observo acordado que a vida 
A vida, é demais para meus gostos inúteis
Mesmo assim, não irei ligar o botão do foda-se
E fingir não saber como desligá-lo
Quebrei minha alavanca de pensar
E estourei os interruptores propositalmente
Meu estado é de alerta...

Chellmì - JEP.
10.01.2014

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Às Vezes Sou ?


Às vezes sou Sol ?
Às vezes sou Lua ?
Às vezes sou Fogo ?
Às vezes sou Gelo ?
Às vezes sou Água ?
Às vezes sou Mágoa ?
Às vezes sou Lágrima ?
Às vezes sou Ódio ?
Às vezes sou Felicidade ?
Às vezes sou Tristeza ?
Um dia espero me eternizar Vento
Para que às vezes você possa sentir minhas Brisas.

Chellmí - Jovem Escritor Paulista 
07.01.2014 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

AS FOLHAS QUE ME ATRAVESSAM


É no momento mais triste que lhe vejo
Lhe pego, derramo gotas em ti para buscar conforto
Você ouve tudo calada, por isso cada vez mais te almejo
Calada entre aspas, pois grita em silêncio comigo quando estou quase morto

Tua textura me chama, manda-me expressar
Expressar, expressar, para que seja ex-pressão
Pede-me, implora-me para que eu vá devagar
Eu obedeço e vou de encontro correndo e você nunca me deixa na mão

Já pintei teu corpo e me senti artista
Fitei sua face de ponta-a-ponta e sei que não fui o primeiro
Agarrei-te com força, fui rude e por um tempo te perdi de vista
O artista se foi e o que sobrou foram resquícios de arteiro

Nas tuas linhas me perco mesmo quando as mesmas não existem
O cuidado que tenho para não borrar seu rosto é imenso
Como não sou tão zeloso as manchas persistem
E a cada toque em você o clima fica mais tenso

Quando lhe observo voar, imagino um pássaro perfeito
Admirando sua leveza chego a ficar hipnotizado
Seu limite para mim me faz a tratar com respeito
Teu corpo no meu corpo uma hora se vai, mas em ti tudo será eternizado 

Já me debrucei em brancas, negras e coloridas
A calma que se foi agora virou palavra certeira
Entre rosas, espinhos, adubos e margaridas, não se fecham feridas
Folha, eu posso lhe garantir que você é minha paixão verdadeira.

Chellmí - Jovem Escritor Paulista - 17.11.2013

terça-feira, 12 de novembro de 2013

OFICINA - NAS IMAGENS DO MUNDO REESCREVO MINHA HISTÓRIA Com Chellmí - 19 e 21/11/2013 - 14h. as 18h.

Local - Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso - Av. Deputado Emílio Carlos, 3641 - Vila Nova Cachoeirinha.
Datas - 19 e 21 de Novembro de 2013 - Horário: 14h as 18h. 
Estão tod@s convidad@s.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

VENTANIA


Ei você, sim, você mesmo.
Escute, se for água, óbvio.
Hoje eu conversei com o barro, discuti com a pedra, ganhei carinhos da areia e me deitei no ar.
Espero que a natureza da minha multipolaridade continue me dando a chance de pairar entre os odores das flores e os perfumes dos lixos, e assim continuar sendo um ser de vento.
Agora com licença, pois preciso esticar meus ventos sobre uma rede de galhos. 

Chellmí - Jovem Escritor Paulista : 29/10/2013

terça-feira, 29 de outubro de 2013

INCENTIVO AS LEITURAS: AS AÇÕES CULTURAIS NAS PERIFERIAS GRITAM, E QUEM AS ESCUTA ?

Ocorreu um pequeno erro na divulgação, sem problema. O título do meu colóquio será:
 INCENTIVO AS LEITURAS: AS AÇÕES CULTURAIS NAS PERIFERIAS GRITAM, E QUEM AS ESCUTA ?

sábado, 12 de outubro de 2013

BRINCANDO



Tem pião, bolinha de gude e futebol com bola de durex
No jogo de damas há espaço para cavalheiros e as ideias chegam sem sedex
Entregue as cartas, a leitura fica por conta do olhar
No pega-pega do lápis não se esconde-esconde o coração e seu palpitar
Corre pra lá, corre pra cá, aprende com a fúria ao lado
O brincar depende do outro para que seu universo não seja engessado
Seja na grama ou no concreto, na terra ou na areia
A descoberta do mundo tem que pulsar na alma e na veia
O encontro que proporciona o desencontro consigo
A disputa em que o celular chama mais atenção que um amigo
Sorrisos, insultos e devaneios que quebram a lógica do que está posto
A poesia que na Arte do encontro é o que dá gosto
Saborear cada momento como se fosse o mais doce da vida
Para se encontrar mesmo não tendo saída na história que parecia perdida
Que minhas palavras atravessem tempos e fiquem na lembrança
Pois na minha vida sempre existirá um adulto-criança.

CHELLMÍ - 11.10.2013. 
OBRIGADO POR EXISTIREM NA MINHA VIDA MOLECADA, SE NÃO FOSSEM VOCÊS EU JÁ TERIA PARTIDO.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

SOLIDÃO OU SOLIDEZ ?


Hoje me deu vontade de chorar, aí eu chorei.
Saí pra rua, estava chovendo. Pensei.
Vou misturar minhas lágrimas com as lágrimas do céu.
Achei ser uma boa desculpa para quem observasse meus olhos vermelhos.
Me perguntaram.
- Tá brisado?
Respondi.
- Sim, de solidão.
O silêncio veio à tona, mas as lágrimas insistiam em fazer barulhos de correntezas incessantes...

Chellmí - 08.10.2013
Inspirado em minha tristeza e neste som: http://www.youtube.com/watch?v=rcfrOmO4lD4

terça-feira, 1 de outubro de 2013

CORAÇÃO


Dá linha vai mandado
Pois, não sou carretel para querer te enrolar
Com o coração pulsante e despedaçado
Não é a flecha do cupido que vai me encantar

Nas camas em que deitei sempre tive de corpos e almas presentes
Aos lábios que toquei procurei deixar o doce aroma do carinho
Em cada troca de olhar brilhavam quatro estrelas cadentes
A cada partida, um tombo, e eu prossigo sozinho

O te amo se banaliza na boca de quem brinca com o amor
Com os ouvidos tapados a língua se torna metralhadora
O fracasso é visível na face deste eterno sofredor
Resta-me pisar no asfalto e deixar as nuvens à sua brisa inspiradora

A fumaça do cigarro ocupa espaço na bolha da tristeza
A multidão em torno do solitário faz com que a lágrima caia
A brasa queima, o peito congela e o resultado é a fraqueza
A correnteza salgada que transborda meu rosto não fica de tocaia

O mundo berra e quem escuta?
O tempo é irrisório para quem corre na contramão?
Pergunto-me constantemente se vale a pena minha luta
Algumas vezes acho que sim, outras acho que não

Versos adolescentes que surgem no corpo adulto
Cadê a fé? Cadê a garra? Por onde anda a esperança?
A casca grossa da amargura para você é um insulto
Quando a moral é sequestrada, não adianta pagar fiança

Os calos das mãos somem, enquanto os da mente vêm à tona
Pálpebras quase intocáveis
Agora se reaproximam meus ósculos na lona
Em meio a dores imensuráveis

A chuva que cai no telhado não me molha literalmente
O céu soluça e eu escuto
A goteira em meu ser já não me faz tão contente
Pra quem não conhece a distância, considera ridículo meu luto

No universo do capital selvagem as sensibilidades se tornaram chacotas
A sutileza da exposição é mal vista
Delicadezas e sentimentos alguns julgam lorotas
Garantem que no mundo dos derrotados o meu nome é o primeiro da lista

Insanidade, razão, sonhos, afazeres seguem juntos
Se deslocar e transitar talvez sejam para poucos
Por mais que eu me esconda, são permanentes estes assuntos
Enquanto muitos querem se enquadrar, eu me reinvento na terra dos loucos

O que seria do azul se só existisse o vermelho?
O quadradismo vive em meio ao círculo
Já se perguntou o que hoje refletiu em seu espelho?
Não sei se me afasto ou se fortaleço o vínculo

Espero que a vitória um dia venha e que logo vá embora
Já se foi o tempo de gritar, é campeão!
Que o amor nunca seja da boca pra fora
Sei que não sou Rael, mas quem sabe um dia, eu também consiga seguir as batidas do meu coração.

Chellmí - Jovem Escritor Paulista
30.09.2013 - 23:35