segunda-feira, 27 de julho de 2015

AS ESTRELAS, SEUS BRILHOS E MINHAS BRISAS


Os olhos procuram no céu estrelas cadentes 
A brisa noturna arrepia a espinha 
Avisto íris ofuscadas e corações carentes 
Madrugada gelada que ali era só minha

Cada segundo eternizado num mundo calado
Solo árido num peito tão seco
Uma face alagada e um caderno encharcado
Borrou-se as palavras perdidas num beco

A lua não quis chamar atenção
As nuvens foram bailar
Os deuses dormiram no chão
E meus pensamentos... Aqueles não pude cessar

O reflexo nas águas não brilhava pra mim
O morro esverdeado eu pensei colorir
Levantei-me tão cinza em busca de um fim
E com olhares sangrando vi algo estranho se abrir

Eu, vagalume esticado depois da perca de luz
As ondas quebrando em meu corpo imobilizado
Ao longe um vendaval, que enfim me seduz
E um sopro no ouvido ecoando "mano, você é um zoado"

A tempestade fez o mar bravejar
O pulsar no tórax acelerou bruscamente
Um clarão no meu íntimo me forçou despertar
E até hoje não sei, se toquei numa estrela cadente ou numa estrela carente. 

Um comentário:

Bruna disse...

Mandou bem. :)